Novo presidente do BCE estreia com corte de juro
Enviado por luisnassif, qui, 03/11/2011 - 16:39
Da Agência Estado
Entrada de ‘Super Mario’ no BCE levanta expectativa de mais ação
Novo presidente do Banco Central Europeu estreou com uma mudança de postura radical, ao cortar o juro em 0,25 ponto porcentual
Daniela Milanese, enviada especial da Agência Estado
CANNES - O novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, estreou com uma mudança de postura radical. Já no primeiro encontro à frente do BCE, conduziu uma rara surpresa na política monetária do bloco, ao cortar os juros em 0,25 ponto porcentual, para 1,25% - justificando, assim, seu apelido de "Super Mario", como o nome do famoso personagem de games criado pela Nintendo na década de 1980.
É fato que a autoridade caminhava para um relaxamento monetário, mas não se esperava ação já nesta quinta-feira, sem o tradicional script de aviso aos mercados. Analistas previam que o BCE apenas sinalizaria hoje a possibilidade de redução da taxa no próximo mês, mantendo o conservadorismo que caracterizou o mandato do ex-presidente Jean-Claude Trichet.
A guinada traz dois sinais: reforça a gravidade da crise na zona do euro e indica que o BCE poderá ter postura mais pró-ativa no combate à turbulência - já se fala até na possibilidade de desaperto quantitativo, como fazem o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra.
A decisão é bem recebida por especialistas dos bancos, que veem a necessidade de desaperto para enfrentar os problemas na zona do euro. Além de toda a complicação trazida pela Grécia, a atividade econômica fraca é uma forte preocupação, pois existe o risco de novo mergulho recessivo.
"O desaperto monetário é fortemente justificável neste momento, dado os sinais crescentes dos indicadores de confiança de que o PIB da zona do euro irá se contrair no quarto trimestre, junto com os sinais de abatimento da inflação", avalia Jullian Callow, analista do Barclays Capital, em relatório aos clientes. "A perspectiva econômica da zona do euro se deteriorou marcadamente, como sinalizado pelos indicadores, com implicações para a avaliação dos riscos à estabilidade de preços", diz Ken Wattret, do BNP Paribas.
Os dois bancos estimam que o BCE voltará a cortar os juros em 0,25 ponto porcentual na reunião de dezembro. A decisão desta quinta-feira traz expectativas sobre mais mudança de comportamento da autoridade monetária.
"A medida de hoje pode mudar a percepção sobre como o BCE irá agir sob nova administração, alterando a avaliação dos mercados sobre a probabilidade de que o BC europeu siga outros grandes bancos centrais e compre títulos em escala muito maior", avalia Wattret. Para ele, Draghi demonstrou já na primeira oportunidade que não se deixará levar pela questão referente a sua nacionalidade nem sobre a percepção sobre a firmeza da autoridade quando o momento realmente requer ação. Como Draghi é italiano, existia a avaliação de que ele teria de ser ainda mais conservador para manter sua credibilidade.
"A surpresa de hoje mostra que o novo presidente está estabelecendo um novo padrão para ajuste da política, já que o corte de juros não havia sido sinalizado", afirma o Barclays Capital.
Enviado por luisnassif, qui, 03/11/2011 - 16:39
Da Agência Estado
Entrada de ‘Super Mario’ no BCE levanta expectativa de mais ação
Novo presidente do Banco Central Europeu estreou com uma mudança de postura radical, ao cortar o juro em 0,25 ponto porcentual
Daniela Milanese, enviada especial da Agência Estado
CANNES - O novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, estreou com uma mudança de postura radical. Já no primeiro encontro à frente do BCE, conduziu uma rara surpresa na política monetária do bloco, ao cortar os juros em 0,25 ponto porcentual, para 1,25% - justificando, assim, seu apelido de "Super Mario", como o nome do famoso personagem de games criado pela Nintendo na década de 1980.
É fato que a autoridade caminhava para um relaxamento monetário, mas não se esperava ação já nesta quinta-feira, sem o tradicional script de aviso aos mercados. Analistas previam que o BCE apenas sinalizaria hoje a possibilidade de redução da taxa no próximo mês, mantendo o conservadorismo que caracterizou o mandato do ex-presidente Jean-Claude Trichet.
A guinada traz dois sinais: reforça a gravidade da crise na zona do euro e indica que o BCE poderá ter postura mais pró-ativa no combate à turbulência - já se fala até na possibilidade de desaperto quantitativo, como fazem o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra.
A decisão é bem recebida por especialistas dos bancos, que veem a necessidade de desaperto para enfrentar os problemas na zona do euro. Além de toda a complicação trazida pela Grécia, a atividade econômica fraca é uma forte preocupação, pois existe o risco de novo mergulho recessivo.
"O desaperto monetário é fortemente justificável neste momento, dado os sinais crescentes dos indicadores de confiança de que o PIB da zona do euro irá se contrair no quarto trimestre, junto com os sinais de abatimento da inflação", avalia Jullian Callow, analista do Barclays Capital, em relatório aos clientes. "A perspectiva econômica da zona do euro se deteriorou marcadamente, como sinalizado pelos indicadores, com implicações para a avaliação dos riscos à estabilidade de preços", diz Ken Wattret, do BNP Paribas.
Os dois bancos estimam que o BCE voltará a cortar os juros em 0,25 ponto porcentual na reunião de dezembro. A decisão desta quinta-feira traz expectativas sobre mais mudança de comportamento da autoridade monetária.
"A medida de hoje pode mudar a percepção sobre como o BCE irá agir sob nova administração, alterando a avaliação dos mercados sobre a probabilidade de que o BC europeu siga outros grandes bancos centrais e compre títulos em escala muito maior", avalia Wattret. Para ele, Draghi demonstrou já na primeira oportunidade que não se deixará levar pela questão referente a sua nacionalidade nem sobre a percepção sobre a firmeza da autoridade quando o momento realmente requer ação. Como Draghi é italiano, existia a avaliação de que ele teria de ser ainda mais conservador para manter sua credibilidade.
"A surpresa de hoje mostra que o novo presidente está estabelecendo um novo padrão para ajuste da política, já que o corte de juros não havia sido sinalizado", afirma o Barclays Capital.
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