O prêmio da ativista saudita Samar Badawi
Enviado por luisnassif, qui, 08/03/2012 - 09:46
Por Paulo F.
Da Radio Bederland Wereldomroep

Ativista saudita recebe prêmio internacional
Por Karima Idrissi (Foto: arquivo)
A ativista saudita Samar Badawi recebe esta semana, juntamente com nove outras mulheres, o prestigioso prêmio Women of Courage Award, concedido pelo Ministério de Relações Exteriores dos EUA. Ela ficou conhecida internacionalmente em 2010 porque seu pai mandou prendê-la por ‘desobediência’. Recentemente, ela iniciou um processo contra as autoridades de seu país por não poder tirar carteira de motorista.
Por Karima Idrissi e Jannie Schipper
Samar Badawi pediu ao departamento de trânsito de sua cidade, Jedá, uma carteira de motorista. Depois que o pedido foi recebido oficialmente, Badawi telefonou durante dois meses diariamente ao ministério responsável para saber qual era a situação do pedido.
A resposta, segundo a jovem saudita: insultos e tratamento grosseiro. Badawi apresentou então uma queixa contra o Ministério do Interior. É o mais novo passo na luta das mulheres sauditas para poder dirigir, depois de petições, carreatas e prisões ocorridas anteriormente. A ativista Manal al-Sharif, que foi presa no ano passado quando ir dirigir, também apresentou uma queixa.
Direito a uma vida própria
Para Samar Badawi, dirigir simboliza o direito de liberdade de ir e vir das mulheres sauditas. “Hoje uma mulher não pode andar sozinha na rua ou ir a instituições oficiais para providenciar documentos ou viajar”, diz Badawi. “Acho que o Estado não quer dar às mulheres o direito de viajar porque com isso a porta estaria aberta para que exigissem outros direitos”, disse ela à Rádio Nederland.
Badawi tem experiência com o direito a uma vida própria, e principalmente com a limitação deste direito. Em 2010, ela esteve nas primeiras páginas dos jornais quando, sem um devido processo, acabou passando meses na prisão. Por quê? Porque desobedeceu a seu pai – e isso aos 30 anos.
Pai versus filha
“Minha mãe morreu quando eu tinha 13 anos”, conta Badawi. “Meu pai me bateu, me insultou e me pôs pra fora de casa.” Mesmo quando ela se casou e teve um filho, o pai continuou se metendo em sua vida. O casamento terminou em separação e Badawi voltou a viver com seu pai. Na Arábia Saudita, é costume que o homem tenha a guarda da mulher e que o pai seja novamente responsável por ela depois de uma separação. Mas os maus tratos recomeçaram.
Quando ela foi com seu filho para um abrigo para mulheres e decidiu iniciar um procedimento para que seu pai não tivesse mais custódia sobre ela, ele apresentou uma queixa por ‘desobediência’. Um dos argumentos: Samar tinha assinado uma petição para que mulheres tivessem o direito de dirigir. Depois que uma primeira queixa – também contra o irmão de Samar, que apoiava sua irmã – foi rejeitada, o pai tentou mais uma vez e encontrou um juiz conservador que lhe deu razão. Badawi foi para a prisão sem um processo justo
Graças a ações internacionais, ela foi libertada depois de sete meses. Ela agora está sob custódia de seu tio e não mais de seu pai. Pouco tempo depois ela voltava às manchetes exigindo o direito, como mulher, de votar. Isso foi em abril de 2011. Alguns meses depois o rei saudita anunciaria que em breve as mulheres teriam direito ao voto.
O que é mais ‘imoral’?
Samar Badawi agora aguarda a decisão do tribunal sobre sua queixa a respeito da carteira de motorista. “E se não for aprovada exigirei uma explicação.” Ela combate os argumentos religiosos e sociais contra a mulher na direção com argumentos religiosos e sociais a favor disso: “Sou mãe e trabalho, e não tenho um chofer. O que então é mais arriscado ou mais imoral: que eu me sente no carro com um homem desconhecido ou que eu mesma dirija?” O problema são sempre os homens, diz Badawi: “As mulheres querem, mas o marido, pai ou irmão têm medo das autoridades ou do que os outros irão dizer.”
Isso já não vale para ela. Em todas as suas ações judiciais, Badawi é assistida pelo advogado de direitos humanos Walied Abou Khair, com quem acabou se casando. “Meu marido é meu suporte e âncora”, diz Badawi. “Quando, no primeiro grande dia de manifestação (17 de junho), fui dirigir e liguei para ele para contar, ele foi o primeiro a me encorajar.”
Da Radio Bederland Wereldomroep

Ativista saudita recebe prêmio internacional
Por Karima Idrissi (Foto: arquivo)
A ativista saudita Samar Badawi recebe esta semana, juntamente com nove outras mulheres, o prestigioso prêmio Women of Courage Award, concedido pelo Ministério de Relações Exteriores dos EUA. Ela ficou conhecida internacionalmente em 2010 porque seu pai mandou prendê-la por ‘desobediência’. Recentemente, ela iniciou um processo contra as autoridades de seu país por não poder tirar carteira de motorista.
Por Karima Idrissi e Jannie Schipper
Samar Badawi pediu ao departamento de trânsito de sua cidade, Jedá, uma carteira de motorista. Depois que o pedido foi recebido oficialmente, Badawi telefonou durante dois meses diariamente ao ministério responsável para saber qual era a situação do pedido.
A resposta, segundo a jovem saudita: insultos e tratamento grosseiro. Badawi apresentou então uma queixa contra o Ministério do Interior. É o mais novo passo na luta das mulheres sauditas para poder dirigir, depois de petições, carreatas e prisões ocorridas anteriormente. A ativista Manal al-Sharif, que foi presa no ano passado quando ir dirigir, também apresentou uma queixa.
Direito a uma vida própria
Para Samar Badawi, dirigir simboliza o direito de liberdade de ir e vir das mulheres sauditas. “Hoje uma mulher não pode andar sozinha na rua ou ir a instituições oficiais para providenciar documentos ou viajar”, diz Badawi. “Acho que o Estado não quer dar às mulheres o direito de viajar porque com isso a porta estaria aberta para que exigissem outros direitos”, disse ela à Rádio Nederland.
Badawi tem experiência com o direito a uma vida própria, e principalmente com a limitação deste direito. Em 2010, ela esteve nas primeiras páginas dos jornais quando, sem um devido processo, acabou passando meses na prisão. Por quê? Porque desobedeceu a seu pai – e isso aos 30 anos.
Pai versus filha
“Minha mãe morreu quando eu tinha 13 anos”, conta Badawi. “Meu pai me bateu, me insultou e me pôs pra fora de casa.” Mesmo quando ela se casou e teve um filho, o pai continuou se metendo em sua vida. O casamento terminou em separação e Badawi voltou a viver com seu pai. Na Arábia Saudita, é costume que o homem tenha a guarda da mulher e que o pai seja novamente responsável por ela depois de uma separação. Mas os maus tratos recomeçaram.
Quando ela foi com seu filho para um abrigo para mulheres e decidiu iniciar um procedimento para que seu pai não tivesse mais custódia sobre ela, ele apresentou uma queixa por ‘desobediência’. Um dos argumentos: Samar tinha assinado uma petição para que mulheres tivessem o direito de dirigir. Depois que uma primeira queixa – também contra o irmão de Samar, que apoiava sua irmã – foi rejeitada, o pai tentou mais uma vez e encontrou um juiz conservador que lhe deu razão. Badawi foi para a prisão sem um processo justo
Graças a ações internacionais, ela foi libertada depois de sete meses. Ela agora está sob custódia de seu tio e não mais de seu pai. Pouco tempo depois ela voltava às manchetes exigindo o direito, como mulher, de votar. Isso foi em abril de 2011. Alguns meses depois o rei saudita anunciaria que em breve as mulheres teriam direito ao voto.
O que é mais ‘imoral’?
Samar Badawi agora aguarda a decisão do tribunal sobre sua queixa a respeito da carteira de motorista. “E se não for aprovada exigirei uma explicação.” Ela combate os argumentos religiosos e sociais contra a mulher na direção com argumentos religiosos e sociais a favor disso: “Sou mãe e trabalho, e não tenho um chofer. O que então é mais arriscado ou mais imoral: que eu me sente no carro com um homem desconhecido ou que eu mesma dirija?” O problema são sempre os homens, diz Badawi: “As mulheres querem, mas o marido, pai ou irmão têm medo das autoridades ou do que os outros irão dizer.”
Isso já não vale para ela. Em todas as suas ações judiciais, Badawi é assistida pelo advogado de direitos humanos Walied Abou Khair, com quem acabou se casando. “Meu marido é meu suporte e âncora”, diz Badawi. “Quando, no primeiro grande dia de manifestação (17 de junho), fui dirigir e liguei para ele para contar, ele foi o primeiro a me encorajar.”
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