Incompreensão
E tu que não entendes o meu olhar no teu... Busca insessante neste meu pedir que fiques/ E que nem sabendo falas, do meu olhar distante, como se em meu semblante, não figurasse o teu... Quanta inquietude, ao interrogar-me sempre, como se não soubessses do meu grande amor pouco discreto/Prenda-me com teu encanto, marques-me com o teu quebranto e faças-me em ti, com um cerimonial secreto/ E mesmo sentindo-me longe, beije-me e prenda-se no que sou teu/ Não deixes que o voar do vento, se encontre em nosso tempo, sem perceber, em ti, o cheiro do corpo meu . . .
(Vernon, dia 21/09Incompreensão
E tu que não entendes o meu olhar no teu... Busca insessante neste meu pedir que fiques/ E que nem sabendo falas, do meu olhar distante, como se em meu semblante, não figurasse o teu... Quanta inquietude, ao interrogar-me sempre, como se não soubessses do meu grande amor pouco discreto/Prenda-me com teu encanto, marques-me com o teu quebranto e faças-me em ti, com um cerimonial secreto/ E mesmo sentindo-me longe, beije-me e prenda-se no que sou teu/ Não deixes que o voar do vento, se encontre em nosso tempo, sem perceber, em ti, o cheiro do corpo meu . . .
(Vernon, dia 21/09/2009...
sábado, 24 de setembro de 2011
Saudade...Um dia a maioria de nós irá se separar.Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,das descobertas que fizemos,dos sonhos que tivemos,dos tantos risos e momentos que compartilhamos.Saudades até dos momentos de lágrimas,da angústia,das vésperas de finais de semana,de finais de ano.Enfim...do companheirismo vivido.Em breve cada um vai pra seu lado,seja pelo destino,ou por algum desentendimento,segue sua vida.Talvez continuemos a nos encontrar.Quem sabe nos emails trocados...Podemos nos telefonar,conversar algumas bobagens...Passarão dias,meses,anos...até este contato tornar-se cada vez mais raro.Vamos nos perder no tempo...A saudade vai apertar bem dentro do peito.Vai dar uma vontade de ligar,ouvir aquelas vozes novamente...Quando o nosso grupo estiver incompleto...nos reuniremos para um último adeus de um amigo.Entre lágrimas,nos abracaremos.Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.Por fim,cada um vai para o seu lado, para continuar a viver a sua vida isolada do passado.E nos perderemos no tempo mais uma vez.Por isso,fica aqui um pedido deste humilde amigo:não deixe que a vida passe em branco e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...Eu poderia suportar,embora não sem dor ,que tivessem morrido todos os meus amores,mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.Muita paz,Muita luz!Aos nobres amigos e amigas. (Vinicius de Moraes)
Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto.Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada? Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste. (Carlos Drummond de Andrade)
Quero que todos os dias do ano, todos os dias da vida, de meia em meia hora, de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo. Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo? Quero que me repitas até a exaustão, que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação, pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes, apagas teu amor por mim. Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais. Quero ser amado por e em tua palavra, nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso, a perfeita maneira de saber-se amado: amor na raiz da palavra, e na sua emissão, amor saltando da língua nacional, amor feito som, vibração espacial. No momento em que não me dizes: Eu te amo, inexoravelmente sei que deixaste de amar-me, que nunca me amastes antes. Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar, eu me precipito no caos, essa coleção de objetos de não-amor. (Carlos Drummond de Andrade)
O tempo passa? Não passa. No abismo do coração Lá dentro perdura a graça Do amor, florindo em canção O tempo nos aproxima Cada vez mais, nos reduz A um só verso e uma rima De mãos e olhos, na luz Não há tempo consumido Nem tempo a economizar. O tempo é todo vestido De amor e tempo de amar. O meu tempo, e o teu, amada, Transcendem qualquer medida. Além do amor não há nada, Amar é o sumo da vida. São mitos de calendário Tanto o ontem como o agora, E o teu aniversário É um nascer toda hora. E nosso amor,que brotou Do tempo, não tem idade, Pois só quem ama escutou. (Carlos Drummond de Andrade)
Clarice Lispector
Angina Pectoris da Alma (Clarice Lispector) escrito em sábado 14 março 2009 23:35 Só que dessa não se morre. Mas tudo, menos a angústia, não? Quando o mal vem, o peito se torna estreito, e aquele reconhecível cheiro de poeira molhada naquela coisa que antes se chamava alma e agora não é chamada nada. E a falta de esperança na esperança. E conformar-se sem se resignar. Não se confessar a si próprio porque nem se tem mais o quê. Ou se tem e não se pode porque as palavras não viriam. Não ser o que realmente se é, e não se sabe o que realmente se é, só se sabe que não se está sendo. E então vem o desamparo de se estar vivo. Estou falando da angústia mesmo, do mal. Porque alguma angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai. (Clarice Lispector)
Angina Pectoris da Alma (Clarice Lispector) escrito em sábado 14 março 2009 23:35 Só que dessa não se morre. Mas tudo, menos a angústia, não? Quando o mal vem, o peito se torna estreito, e aquele reconhecível cheiro de poeira molhada naquela coisa que antes se chamava alma e agora não é chamada nada. E a falta de esperança na esperança. E conformar-se sem se resignar. Não se confessar a si próprio porque nem se tem mais o quê. Ou se tem e não se pode porque as palavras não viriam. Não ser o que realmente se é, e não se sabe o que realmente se é, só se sabe que não se está sendo. E então vem o desamparo de se estar vivo. Estou falando da angústia mesmo, do mal. Porque alguma angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai. (Clarice Lispector)
Misteriosa vida
Quem sou eu pra onde vou?
A velha pergunta de qualquer mortal
Talvez seja verdade
Uma bela mentira
A resposta que sempre nunca vou saber
Milagres acontecem
Teatro de dor e prazer
Um eterno duelo entre o bem e o mal
O destino de Deus
Está escrito na palma da minha mão
Destruo e salvo o mundo
Todo milênio, cada segundo
Tal qual criador, tal qual criação
Uma história sem fim...
História sem
Fim... (Rita Lee)
Quem sou eu pra onde vou?
A velha pergunta de qualquer mortal
Talvez seja verdade
Uma bela mentira
A resposta que sempre nunca vou saber
Milagres acontecem
Teatro de dor e prazer
Um eterno duelo entre o bem e o mal
O destino de Deus
Está escrito na palma da minha mão
Destruo e salvo o mundo
Todo milênio, cada segundo
Tal qual criador, tal qual criação
Uma história sem fim...
História sem
Fim... (Rita Lee)
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