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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tempo e Olfato

Que me quer este perfume?
Nem sequer lhe sei o nome.

Sei que me invade a narina
como incenso de novena.

Que me passeia no corpo
como os dedos tangem harpa.

E me devolve ao pretérito
e a um ser de lava, quimérico,

ser que todo se esvaía
pela porta dos sentidos,

e do mundo, em que saltava,
qual dum espelho lascivo,

retirava a própria imagem
na pura graça da origem...

Cheiro de boca? de casa?
de maresia? de rosa?

Todo o universo: hipocampo
no mar celeste do Tempo.

CarlosDrummond de Andrade

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