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domingo, 23 de outubro de 2011

Lúcia Padilla Gatto


Como queiras, Amor, como tu queiras. Entregue a ti, a tudo me abandono, seguro e certo, num terror tranquilo. A tudo quanto espero e quanto temo, entregue a ti, Amor, eu me dedico. Nada há que eu não conheça, que eu não saiba, e nada, não, ainda há por que eu não espere como de quem ser vida é ter destino. As pequeninas coisas da maldade, a fria tão tenebrosa divisão do medo em que os homens se mordem com rosnidos de malcontente crueldade imunda, eu sei quanto me aguarda, me deseja, e sei até quanto ela a mim me atrai. (Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum')

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