Tem sido assim de três ou quatro semanas para cá.
Diariamente, Luana é a primeira a acordar no apartamento onde mora com os pais, o irmão Felipe de cinco meses e uma babá. Então invade o quarto do irmão que dorme, abre a cortina da janela, agarra-se ao berço e começa a falar com voz macia:
- Bom dia, Felipão. Bom dia!
(O "Felipão" é dito de maneira arrastada. Assim: "Felipaaaãaaaaooooo.")
Felipe se mexe, mas tenta continuar dormindo.
Luana desfia uma série de saudações a curtos intervalos de tempo:
- Meu principezinho!
- Gatinho de praia!
- O queridinho da mamãe!
A essa altura, Felipe está acordado. E esboça um sorriso.
- Está rindo pra sua irmã, é? Está rindo, gatinho?
Quando ouve que Felipe está sorrindo, Sofia, a mãe dos dois, abandona o seu quarto e vai ao encontro deles.
E assim tem início um novo dia na vida da família Noblat Fortes.
Não. Não posso garantir que passou de vez a fase de hostilidade de Luana com relação ao irmão.
Mas sem dúvida ela está mais carinhosa. Abdicou de cenas do tipo encostar o seu nariz no nariz de Felipe e comentar baixinho com os dentes trincados:
- É o palhacinho da mamãe, é? É o engraçadinho que todo mundo quer pegar no colo, é? Vai ficar aí calado? Está querendo apanhar?
Às vezes, dava-lhe um tapa.
Luana trocou a raiva pela rebeldia. E essa pode se expressar no contacto com qualquer parente próximo.
Outro dia, a avó Rebeca flagrou-a riscando o braço com uma caneta.
- Não faça isso. Você está sujando o braço - pediu.
- Eu sujo. Afinal, de quem é o braço? - devolveu Luana.
No avião que a trouxe de volta do Rio para Brasília, Luana ouviu a pergunta de uma aeromoça:
- Você gostou do Rio, gostou?
- Sim.
- Você gostaria de morar no Rio?
- Sim.
A aeromoça desistiu de ser simpática. Foi procurar o que fazer.
- Luana, por que você não falou direito com a moça? - espantou-se Rebeca.
- Porque não sei quem é.
- Como é? Você só fala com quem conhece?
- Só.
A hora do banho é sempre a mais aborrecida para Luana. Ontem, depois de ignorar três vezes a ordem da avó de ir para o banho, Luana arquivou os bons modos.
- Você é meu pai? Não é. É minha mãe? Não é. É meu irmão? Não é. Meu pai se chama Vitor, minha mãe se chama Sofia e meu irmão se chama Felipe.
- Mas eu sou sua avó e você vai tomar banho, sim - reagiu Rebeca.
Ela só foi quando Rebeca ameaçou:
- Vou chamar seu avô.
Esclareço que Rebeca se referia ao outro avô, Xandu. Eu não meto medo em Luana.
Diariamente, Luana é a primeira a acordar no apartamento onde mora com os pais, o irmão Felipe de cinco meses e uma babá. Então invade o quarto do irmão que dorme, abre a cortina da janela, agarra-se ao berço e começa a falar com voz macia:
- Bom dia, Felipão. Bom dia!
(O "Felipão" é dito de maneira arrastada. Assim: "Felipaaaãaaaaooooo.")
Felipe se mexe, mas tenta continuar dormindo.
Luana desfia uma série de saudações a curtos intervalos de tempo:
- Meu principezinho!
- Gatinho de praia!
- O queridinho da mamãe!
A essa altura, Felipe está acordado. E esboça um sorriso.
- Está rindo pra sua irmã, é? Está rindo, gatinho?
Quando ouve que Felipe está sorrindo, Sofia, a mãe dos dois, abandona o seu quarto e vai ao encontro deles.
E assim tem início um novo dia na vida da família Noblat Fortes.
Não. Não posso garantir que passou de vez a fase de hostilidade de Luana com relação ao irmão.
Mas sem dúvida ela está mais carinhosa. Abdicou de cenas do tipo encostar o seu nariz no nariz de Felipe e comentar baixinho com os dentes trincados:
- É o palhacinho da mamãe, é? É o engraçadinho que todo mundo quer pegar no colo, é? Vai ficar aí calado? Está querendo apanhar?
Às vezes, dava-lhe um tapa.
Luana trocou a raiva pela rebeldia. E essa pode se expressar no contacto com qualquer parente próximo.
Outro dia, a avó Rebeca flagrou-a riscando o braço com uma caneta.
- Não faça isso. Você está sujando o braço - pediu.
- Eu sujo. Afinal, de quem é o braço? - devolveu Luana.
No avião que a trouxe de volta do Rio para Brasília, Luana ouviu a pergunta de uma aeromoça:
- Você gostou do Rio, gostou?
- Sim.
- Você gostaria de morar no Rio?
- Sim.
A aeromoça desistiu de ser simpática. Foi procurar o que fazer.
- Luana, por que você não falou direito com a moça? - espantou-se Rebeca.
- Porque não sei quem é.
- Como é? Você só fala com quem conhece?
- Só.
A hora do banho é sempre a mais aborrecida para Luana. Ontem, depois de ignorar três vezes a ordem da avó de ir para o banho, Luana arquivou os bons modos.
- Você é meu pai? Não é. É minha mãe? Não é. É meu irmão? Não é. Meu pai se chama Vitor, minha mãe se chama Sofia e meu irmão se chama Felipe.
- Mas eu sou sua avó e você vai tomar banho, sim - reagiu Rebeca.
Ela só foi quando Rebeca ameaçou:
- Vou chamar seu avô.
Esclareço que Rebeca se referia ao outro avô, Xandu. Eu não meto medo em Luana.


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