Os efeitos da crise no mercado de trabalho brasileiro
Enviado por luisnassif, qua, 13/06/2012 - 10:05De O Estado de S. Paulo
Crise europeia vai afetar o mundo inteiro, diz ministro do Trabalho
Brizola Neto, no entanto, prevê que, mesmo assim, o Brasil poderá gerar entre 1,5 milhão e 2 milhões de novos postos de trabalho em 2012
Jamil
Chade
GENEBRA - O desemprego nas metrópoles brasileiras deve terminar o ano abaixo
de 6%. Mas o principal obstáculo hoje para a economia é a geração de
produtividade, que ainda é baixa. O alerta é do ministro do Trabalho, Brizola
Neto, que participa nesta semana de reuniões na Organização Internacional do
Trabalho, em Genebra. Em entrevista ao Estado, o ministro
admitiu que a crise europeia irá "afetar o mundo inteiro". Mas prevê que, mesmo
assim, o Brasil poderá gerar entre 1,5 milhão e 2 milhões de novos postos de
trabalho em 2012. Eis os principais trechos da entrevista:
Os indicadores econômicos apontam para um novo ciclo de crescimento econômico
do Brasil. Algumas questões colocadas pela presidente Dilma Rousseff tem
permitido que possamos vislumbrar esse cenário otimista. A redução de juros e o
cambio que melhorou para as exportações. As desonerações são medidas fortes e
que nos permite olhar para o futuro com otimismo. Há um grande plano de
investimentos em educação, principalmente na qualificação profissional, voltada
para os vetores do desenvolvmento nacional.
Mas há alguma chance de que a taxa fique abaixo de 6%?
Sim, estamos caminhando para isso. Estamos vivendo um momento único, que é a de ter regiões metropolitanas com pleno emprego. Mas nós temos um grande desafio, que é o da produtividade. Não vamos aumentar a produtividade pelo caminho mais fácil, mas mais injustos, que é retirando direitos de trabalhadores. Nosso caminho é combater as distorções das taxas de juros, estar atento ao cambio e acima de tudo tormarmos o caminho das desonerações. E, principalmente, investir em educação, introduzir a inovação e mudando o perfil da produção no Brasil.
Mas o crescimento de apenas 0,2% do PIB no primeiro trimestre não assusta?
O crescimento é fundamental. Mas, em 2009, que foi um ano que o País praticamente não cresceu, geramos quase 2 milhões de empregos.
Neste ano essa taxa pode ser repetida?
Eu não gosto de fazer previsões. Mas a tedência é a de manter esse movimento de gerar entre 1,5 milhão a 2 milhões de empregos. Não vou cravar porque não tenho bola de cristal, inclusive porque fatores externos podem afetar.
Até que ponto o governo está preocupado com a crise na Europa e seu impacto no Brasil?
Você começa a ver que a crise na Europa começa a afetar já o crescimento chinês, com isso as compras chinesas podem ter seu ritmo diminuído e nós passarmos a ter alguns problemas com nossas exportações. Estamos tentando superar a dependência de produtos primários. Mas você não muda 500 anos de história econômica em dez. É um processo que começou no governo passado. A crise europeia vai afetar o mundo inteiro. Agora, como será o impacto nas diferentes regiões é que é a questão. O que posso dizer é que o receituário latino-americano tem evitado o aprofundamento da crise.
A crise europeia tem gerado um fluxo de trabalhadores ao Brasil. O País tem como absorver ou o governo pensa em algum controle.
Nossa cultura é de receber estrangeiros. De nenhuma maneira temos uma postura xenofoba. Claro, temos de nos preocupar em defender os postos de trabalho no Brasil para trabalhadores brasileiros. Temos visto o avanço grande de imigração em alguns setores, como naval, petróleo e gás. Estamos buscando suprir gradativamente a necessidade de importação de mão de obra. Outro caso é a entrada de profissionais com conhecimento, mestrado, doutorado. Esses precisamos trazer com tapete vermelho e dar condições. Não podemos correr o risco de colocar gargalos na mão de obra e impedir o avanço da economia. O que precisamos é fazer gradativamente um investimento na qualificação profissional desses segmentos da economia. Existem muitos portugueses vindo para os estaleiros. Só neste ano, o aumento foi de 30%. Foi um aumento grande. Mas trazem também know-how. É uma questão complexa que não podemos tratar com nenhum viés ideológico e olhar para o desenvolvimento econômico nacional.
Mas nem todos vem nessa situação. Existe também a entrada de bolivianos e haitianos. Como lidar com isso?
Não podemos ter uma postura xenófoba. Sempre recebemos bem aos europeus, porque não receber os latino-americanos e entendendo suas situações economicas. E são quantidades bem suportáveis para a economia brasileira que não vão concorrer com os brasileiros.
Dados do IBGE mostram que, em abril, a taxa de
desemprego foi de 6%. Qual a previsão do governo para o restante do
ano?
Mas há alguma chance de que a taxa fique abaixo de 6%?
Sim, estamos caminhando para isso. Estamos vivendo um momento único, que é a de ter regiões metropolitanas com pleno emprego. Mas nós temos um grande desafio, que é o da produtividade. Não vamos aumentar a produtividade pelo caminho mais fácil, mas mais injustos, que é retirando direitos de trabalhadores. Nosso caminho é combater as distorções das taxas de juros, estar atento ao cambio e acima de tudo tormarmos o caminho das desonerações. E, principalmente, investir em educação, introduzir a inovação e mudando o perfil da produção no Brasil.
Mas o crescimento de apenas 0,2% do PIB no primeiro trimestre não assusta?
O crescimento é fundamental. Mas, em 2009, que foi um ano que o País praticamente não cresceu, geramos quase 2 milhões de empregos.
Neste ano essa taxa pode ser repetida?
Eu não gosto de fazer previsões. Mas a tedência é a de manter esse movimento de gerar entre 1,5 milhão a 2 milhões de empregos. Não vou cravar porque não tenho bola de cristal, inclusive porque fatores externos podem afetar.
Até que ponto o governo está preocupado com a crise na Europa e seu impacto no Brasil?
Você começa a ver que a crise na Europa começa a afetar já o crescimento chinês, com isso as compras chinesas podem ter seu ritmo diminuído e nós passarmos a ter alguns problemas com nossas exportações. Estamos tentando superar a dependência de produtos primários. Mas você não muda 500 anos de história econômica em dez. É um processo que começou no governo passado. A crise europeia vai afetar o mundo inteiro. Agora, como será o impacto nas diferentes regiões é que é a questão. O que posso dizer é que o receituário latino-americano tem evitado o aprofundamento da crise.
A crise europeia tem gerado um fluxo de trabalhadores ao Brasil. O País tem como absorver ou o governo pensa em algum controle.
Nossa cultura é de receber estrangeiros. De nenhuma maneira temos uma postura xenofoba. Claro, temos de nos preocupar em defender os postos de trabalho no Brasil para trabalhadores brasileiros. Temos visto o avanço grande de imigração em alguns setores, como naval, petróleo e gás. Estamos buscando suprir gradativamente a necessidade de importação de mão de obra. Outro caso é a entrada de profissionais com conhecimento, mestrado, doutorado. Esses precisamos trazer com tapete vermelho e dar condições. Não podemos correr o risco de colocar gargalos na mão de obra e impedir o avanço da economia. O que precisamos é fazer gradativamente um investimento na qualificação profissional desses segmentos da economia. Existem muitos portugueses vindo para os estaleiros. Só neste ano, o aumento foi de 30%. Foi um aumento grande. Mas trazem também know-how. É uma questão complexa que não podemos tratar com nenhum viés ideológico e olhar para o desenvolvimento econômico nacional.
Mas nem todos vem nessa situação. Existe também a entrada de bolivianos e haitianos. Como lidar com isso?
Não podemos ter uma postura xenófoba. Sempre recebemos bem aos europeus, porque não receber os latino-americanos e entendendo suas situações economicas. E são quantidades bem suportáveis para a economia brasileira que não vão concorrer com os brasileiros.
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