Brasil é 31º em ranking de segurança alimentar

Índice avalia segurança alimentar em 105 países
Por Lilian Milena, do Brasilianas.org
Apesar de ser considerado uma potencia agropecuária, o Brasil encontra-se na 31ª posição do Índice Global de Segurança Alimentar (Global Food Security Index), lançado esta semana pela Economist Intelligence Unit (EIU), a pedido da DuPont. O trabalho, que avaliou 105 países, aponta que o Brasil é prejudicado, especialmente, pela má infraestrutura de transportes, baixo PIB per capita e insegurança jurídica.

Os países que se destacam com melhor acesso aos alimentos são, pela ordem, Estados Unidos, Dinamarca, Noruega e França. Já as nações com o pior acesso à alimentos são Burúndi, Chade e República Dominicana do Congo, todos do continente africano.

“Basicamente, os países mais seguros apresentam alto índice de abastecimento, alto PIB per capita, comprometimento da renda familiar menor com a alimentação e altos investimentos em P&D”, explicou Robert Wood, representante da EIU no Brasil, durante evento de lançamento do índice em São Paulo. O gasto médio mensal com cesta básica no mundo é de 20% da renda familiar. Nos países de maior insegurança o valor supera a 50% da renda.
O índex foi baseado em três grandes pilares: acessibilidade financeira aos produtos alimentícios; disponibilidade (aqui inclui oferta, investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, além de infraestrutura); e qualidade/segurança, ou seja, diversidade de alimentos disponíveis e o potencial nutritivo deles.

Os países de primeiro mundo apresentam problemas quanto à qualidade dos alimentos, em especial no que diz respeito aos micronutrientes, com destaque para o déficit de ferro. Enquanto que a principal preocupação dos países do sul da Ásia e da África subsariana é com relação à acessibilidade. “Nessas nações o desafio é chegar a um nível relativamente baixo de volatilização dos preços”, acrescentou Wood.

Instrumento para políticas públicas

O Global Food Security Index será atualizado trimestralmente na variável preços de alimentos e já pode ser acessado integralmente através da página www.foodsecurityindex.eiu.com. O presidente da DuPont Brasil, Ricardo Vellutini, acredita que o estudo tende a se tornar uma importante ferramenta para os governos pensarem políticas públicas de combate a fome, e para o setor privado direcionar recursos ao avaliar mercados.

O coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, mostrou-se desapontado com a colocação do Brasil - em 31º no ranking geral e em terceiro na América Latina, atrás de Chile (1º) e México.

Sua avaliação é de que o índice corrobora a “falta de estratégia integrada e de coordenação mais consistentes da figura chave do governo”. Isso porque os problemas que envolvem a segurança alimentar no país transcendem as decisões relacionadas à política agrária, como infraestrutura e nível de renda da população. Ainda assim, não deixou de reconhecer os esforços do governo federal em relação as políticas de transferência de renda (Bolsa Família) e às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Rodrigues destacou que o Brasil é praticamente a única nação com capacidade de expandir a agropecuária de forma sustentável. Com apenas 8,5% do seu território ocupado com algum tipo de agricultura e outros 20% com pastos, o país teria condições de ampliar a produção em mais 86 milhões de hectares. Parte desse volume de terras deverá ser cedido pela agropecuária, que necessitará cada vez menos de terras, a partir do confinamento do gado. Nos últimos 20 anos a área plantada no Brasil cresceu 36%, enquanto a produtividade, 176