Sarkozy já faz campanha
Enviado por luisnassif, sex, 10/02/2012 - 10:16
Por Paulo F.
Do publico.pt
Sarkozy quer governar com referendos, o primeiro sobre os benefícios dos desempregados
09.02.2012 - 20:25 Por Clara Barata

Sarkozy deve oficializar a candidatura na próxima semana
(LIONEL BONAVENTURE/REUTERS)
O Presidente Nicolas Sarkozy ainda não é candidato à reeleição, nas eleições marcadas para 22 de Abril mas já faz campanha: propõe passar a fazer referendos sobre os benefícios dos desempregados e os direitos dos estrangeiros, numa entrevista que só será publicada na íntegra no "Le Figaro" no sábado mas que já está a criar uma tempestade política em França.
p>“Acredito que a melhor maneira de ultrapassar os bloqueios da nossa sociedade é dirigirmo-nos directamente ao povo francês”, diz Sarkozy, citado pelo jornal, numa notícia que avança algumas ideias da entrevista do Presidente. É apresentada também a capa da revista de sábado do jornal — a que um blogue do "Le Monde" chama “o primeiro cartaz de campanha de Nicolas Sarkozy”.
Incomodados com a ideia de que o "Figaro" é o porta-voz de Sarkozy e do seu partido da direita gaulista, a UMP, os jornalistas da casa adoptaram uma moção, por unanimidade, afirmando que o diário em que trabalham “é um jornal de opinião, não é o boletim de um partido, de um governo, ou de um Presidente da República”.
Mas o que pretende Sarkozy, que continua a fazer o seu jogo de escondidas com o eleitorado — só falta mesmo dizer “sou candidato”. Diz-se que deve entrar na liça oficialmente por volta de 16 de Fevereiro.
Os “valores franceses” serão uma base da sua campanha, juntamente com o “trabalho, a responsabilidade e a autoridade”, adianta o "Libération". A grande novidade, dizem os jornais franceses, é a proposta de recurso aos referendos — um instrumento do qual ele, estranhamente, sempre deu poucos sinais de gostar.
O Presidente quer usar a consulta popular para agir sobre a assistência social. “É preciso lançar uma mudança profunda da nossa organização, uma forma de revolução”, afirma.
Quando a taxa de desemprego é a mais alta dos últimos 12 anos (10%) propõe perguntar aos cidadãos se os desempregados têm o direito de recusar uma formação ou um emprego.
Outra área em que avança com propostas é a dos “direitos dos estrangeiros”. O que está em causa são os imigrantes, e Sarkozy propõe que a justiça administrativa “seja a única competente na matéria da imigração”. O objectivo é facilitar as expulsões, pois o Presidente não é favorável à regularização de imigrantes ilegais.
Sarkozy prepara-se para apresentar a sua candidatura quando o seu ex-ministro do Orçamento e tesoureiro da campanha das presidenciais de 2007 (e também da UMP, até 2010) foi tornado arguido no processo Liliane Bettencourt. Eric Woerth foi considerado suspeito de “tráfico de influência passiva”, após 12 horas de interrogatório pelos juízes de instrução do processo que envolve a mulher mais rica de França, e por “receptação” — supõe-se que de pelo menos 140 mil euros em dinheiro, contribuições ilegais para a campanha de Sarkozy em 2007.
Woerth foi afastado do Governo em Novembro de 2010, mas está hoje plenamente envolvido na “célula de contra-resposta” criada no Eliseu para preparar a candidatura de Sarkozy, diz o "Le Monde". Foi ele que contactou outro ex-ministro e amigo próximo do Presidente, Brice Hortefeux, que lidera este grupo, um ano depois da sua saída do Executivo. “Queria ser útil onde o posso ser”, explicou Woerth ao diário. Está portanto plenamente envolvido na estratégia de candidatura de Sarkozy.
Do publico.pt
Sarkozy quer governar com referendos, o primeiro sobre os benefícios dos desempregados
09.02.2012 - 20:25 Por Clara Barata
Sarkozy deve oficializar a candidatura na próxima semana
(LIONEL BONAVENTURE/REUTERS)
O Presidente Nicolas Sarkozy ainda não é candidato à reeleição, nas eleições marcadas para 22 de Abril mas já faz campanha: propõe passar a fazer referendos sobre os benefícios dos desempregados e os direitos dos estrangeiros, numa entrevista que só será publicada na íntegra no "Le Figaro" no sábado mas que já está a criar uma tempestade política em França.
p>“Acredito que a melhor maneira de ultrapassar os bloqueios da nossa sociedade é dirigirmo-nos directamente ao povo francês”, diz Sarkozy, citado pelo jornal, numa notícia que avança algumas ideias da entrevista do Presidente. É apresentada também a capa da revista de sábado do jornal — a que um blogue do "Le Monde" chama “o primeiro cartaz de campanha de Nicolas Sarkozy”.
Incomodados com a ideia de que o "Figaro" é o porta-voz de Sarkozy e do seu partido da direita gaulista, a UMP, os jornalistas da casa adoptaram uma moção, por unanimidade, afirmando que o diário em que trabalham “é um jornal de opinião, não é o boletim de um partido, de um governo, ou de um Presidente da República”.
Mas o que pretende Sarkozy, que continua a fazer o seu jogo de escondidas com o eleitorado — só falta mesmo dizer “sou candidato”. Diz-se que deve entrar na liça oficialmente por volta de 16 de Fevereiro.
Os “valores franceses” serão uma base da sua campanha, juntamente com o “trabalho, a responsabilidade e a autoridade”, adianta o "Libération". A grande novidade, dizem os jornais franceses, é a proposta de recurso aos referendos — um instrumento do qual ele, estranhamente, sempre deu poucos sinais de gostar.
O Presidente quer usar a consulta popular para agir sobre a assistência social. “É preciso lançar uma mudança profunda da nossa organização, uma forma de revolução”, afirma.
Quando a taxa de desemprego é a mais alta dos últimos 12 anos (10%) propõe perguntar aos cidadãos se os desempregados têm o direito de recusar uma formação ou um emprego.
Outra área em que avança com propostas é a dos “direitos dos estrangeiros”. O que está em causa são os imigrantes, e Sarkozy propõe que a justiça administrativa “seja a única competente na matéria da imigração”. O objectivo é facilitar as expulsões, pois o Presidente não é favorável à regularização de imigrantes ilegais.
Sarkozy prepara-se para apresentar a sua candidatura quando o seu ex-ministro do Orçamento e tesoureiro da campanha das presidenciais de 2007 (e também da UMP, até 2010) foi tornado arguido no processo Liliane Bettencourt. Eric Woerth foi considerado suspeito de “tráfico de influência passiva”, após 12 horas de interrogatório pelos juízes de instrução do processo que envolve a mulher mais rica de França, e por “receptação” — supõe-se que de pelo menos 140 mil euros em dinheiro, contribuições ilegais para a campanha de Sarkozy em 2007.
Woerth foi afastado do Governo em Novembro de 2010, mas está hoje plenamente envolvido na “célula de contra-resposta” criada no Eliseu para preparar a candidatura de Sarkozy, diz o "Le Monde". Foi ele que contactou outro ex-ministro e amigo próximo do Presidente, Brice Hortefeux, que lidera este grupo, um ano depois da sua saída do Executivo. “Queria ser útil onde o posso ser”, explicou Woerth ao diário. Está portanto plenamente envolvido na estratégia de candidatura de Sarkozy.
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