A criação de unidades de conservação na caatinga

Por alfeu
Da Agência Brasil
Governos do NE recebem orientação sobre criação de unidades de conservação ambiental na caatinga
Carolina Gonçalves
Brasília - A partir de amanhã, representante dos governos da Região Nordeste começam a receber orientações sobre como criar unidades de conservação estaduais (UCs) na caatinga e quais os benefícios que estas áreas de preservação podem trazer para as populações locais. A oficina deve reunir, em Petrolina (PE), técnicos estaduais que trabalham com a conservação do bioma, presente em 850 mil quilômetros quadrados do país.
p>Francisco Barreto Campelo, diretor do Departamento de Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, explica que existe uma tendência de descentralização do processo de conservação no Brasil. Para o engenheiro florestal, no caso da Caatinga, a descentralização tem uma função ainda mais importante por ser considerado o bioma mais populoso do mundo, com importante função econômica nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, da Paraíba, Bahia, de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais.
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente, 30% da matriz energética dessa região vem da lenha obtida por meio de exploração não sustentável. A Caatinga também é usada para pastagem de gado, produção de mel, comercialização de frutos e como suprimento de energia na produção de cerâmicas e da indústrias de gesso.
“O principal vetor para desertificação é o uso do recurso natural como fonte energética sem critérios sustentáveis. Especialmente com a seca, o homem vai acabar com a única opção produtiva desta época, que é a madeira, principalmente se temos uma matriz que consome essa lenha”, disse Campelo, defendendo um convívio econômico com maior eficiência.
Um dos exemplos bem sucedidos que serão apresentados aos técnicos ambientais é o de uma indústria de cerâmica que utiliza 0,3 metro de lenha para produzir um milheiro de tijolo, enquanto a média gira em torno de 2 a 3 metros para um milheiro.
“Temos que fomentar boas práticas de uso dos recursos, integrando isso nas atividades econômicas dos agricultores e, ao mesmo tempo, viabilizando a manutenção dos serviços ambientais e conservação ambiental”, defendeu.
Para Campelo, enquanto as UCs de proteção integral são necessárias para armazenar material genético e servir como ambiente de pesquisa, as UCs de uso sustentável podem interagir diretamente no dia a dia da atividade econômica, considerando, principalmente, a realidade da região que tem a lenha como principal matriz energética. “Muita gente acha que pode mudar a matriz energética do nordeste. Apoio o desenvolvimento de novas fontes de energia, mas estamos qualificando a fonte que ainda hoje é a mais usada”, disse.
Edição: Fábio Massalli