terça-feira, 24 de abril de 2012

Enviado por Marceu Vieira -
10.4.2012
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2h44m
efeméride

50 anos

Hoje seus amigos da coluna Ancelmo Gois e dos arredores na redação lhe aprontaram uma festa surpresa. Fez 50 anos dia 31. Fugiu de comemorações como gato de banho. Tirou folga antes da data pra só voltar depois. Evitou menções nas redes sociais. Não anunciou. Driblou todo mundo duas semanas seguidas, cheio de esperança de que não lembrassem. Publicaram seu rito de passagem no jornal. Ainda assim resistiu na casmurrice. Mas hoje não teve jeito. Chegou ao trabalho, e encontrou a celebração da sua efeméride pessoal já pronta. Uma festa toda enfeitada com as cores do seu Flamengo.
Nelson Cavaquinho, num samba dele e de Guilherme de Brito, de que tanto gosta, cantava “como é bom a gente ter amigos, como é bom a gente ser querido”.
Pediu pra pendurar aqui no Botequim a seguinte tabuleta: “Obrigado, Ana Cláudia Guimarães; obrigado, Rosana Abreu. Nomeio as duas pra exibir minha gratidão a todos.”
Falar dele mesmo num texto público o aprisiona numa sensação de exposição indevida. Mas se convenceu de que fazer 50 exige a exceção. Sobretudo ao receber carinho assim tão desinteressado, esmero assim tão bem embalado em ternura, afeto assim tão grande e capaz de emocionar sem pedir nada em troca.
Tampouco este Botequim é lugar pra este tipo de assunto. Mas como nem é tão frequentado, e ele sabe que poucos lerão seu arroubo, não resistiu e capitulou diante da emoção infantil que o acomete aos 50. Diz sentir saudade do Rodolfo, que hoje também estaria no clube e se foi aos 49 de idade e aos 44 do primeiro tempo da vida. Diz ter desmedida saudade do velho Anacleto, que já teria mais de 100. Saudade da velha Iracema, que também teria mais de 100. Da Escola Municipal Souza e Melo, onde estudava a menina de tranças que parece ter sido seu primeiro amor, aos oito, nove anos. Seu nome era... ele nem lembra.
Também é compositor, e nem se fez uma música na data. Também é escrevedor, e até aqui não havia cometido uma linha sequer sobre este meio século que lhe trouxe a escancarada alegria de três filhos incomparáveis na felicidade e no orgulho que devolvem. Meio século de convívio com família tão maravilhosa. Meio século de poucos, mas tão sinceros amores. Meio século de grandes amigos, de parceiros de música imensos no talento e na dedicação. Meio século de madrugadas inesquecíveis, de beijos ao luar, de poesias declamadas na praça, de serenatas no subúrbio.
Sente-se tão emocionado que diz ter saudade da cadela Pretinha, que um dia lhe apareceu no quintal de terra batida. Saudade de seus sucessores Ringo, dos pequeneses Quico e Branquinha, da vira-lata Leide que seu tio insistia em acreditar que era pastora-alemã.
Saudade do jogo de bola nos campos do Mirim e do Lalinho, saudade da madrinha Denaltina, primeira professora, e de seu padrinho Lavoisier, compositor de famosos pontos de umbanda. Saudade da tia Didi. Saudade do seu amado primo Luís, que se foi tão menino sem conhecer o prazer dos 20 anos. Saudade do Tim, arrancado da vida sem direito sequer a uma mensagem de despedida.
Saudade do Ibsen e de todos os amigos de Iacs. Saudade da "Tribuna da Imprensa", do "O Nacional". Do "Jornal do Brasil". Saudade da saudade que a Copa da França, em 1998, poderia ter proporcionado. Saudade da alegria de acrescentar em sua vida amigos tão queridos quanto os doados pelas Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010.
Saudade de memoráveis vitórias em disputas de samba de bloco com Janjão, Lefê, Gallotti, Mário Moura, Alex, Claudiones, Samir, Fabinho, Molica, Gerard, Jorgito. Saudade do Bip Bip e das conversas com seu amigo, pai e filho Alfdredinho. Das gravações em fita cassete com Galante. Da parceria com Teresa. Da "Valsa da estrela" com Lucas. Do "Bolero de Copacabana" com Macarrão. Das gravações com Nilze, Ana Costa e Clarice. Saudade do estúdio do Didi, dos shows no CCC. Saudade das noites de cerveja e violão com seu irmão Pedrinho, com Miguel, Totó, Tono, Cláudio, Tito. Saudade das Meninas. Saudade de tantos e de tudo.

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