A economia como ciência multidisciplinar
Enviado por luisnassif, dom, 08/01/2012 - 08:00
Por Luiz Horacio
Comentário do post "Ainda sobre Bresser-Pereira"
Esse é um tema interessante e indispensável do nosso tempo: o pensamento clássico da Economia. Não creio que os "modelos" pensados atualmente consigam fugir muito das principais teorias econômicas, prefiro chamá-las assim, e por quê? Porque um modelo econômico para o mundo de hoje extrapolaria os campos da Economia. Teria de ser multidisciplinar e interdisciplinar. Teria de incorporar a contradição, sim, o contraditório faz parte dos sistemas, de sua composição. De outro lado, não poderia ser uma crítica igualmente excludente, ou seja, toda a teoria clássica está equivocada ou viciada pelo prisma das classes, e apenas as teorias "críticas" estão corretas. Esse também é um "modelo" insuficiente, e suas outras ordens de contradições e suas insuficiências foram provadas na história, durante a maior parte do século 20. Ainda há reminiscências disso, e o debate central continua preso a essas duas correntes que não conseguem se pensar dentro de um sistema realmente complexo.
O pensamento econômico "puro", sem "contradições", não consegue responder por toda a estrutura e em por toda a dialética de produção de riquezas da sociedade. A Economia deveria ser concebida e estudada de forma mais ampla, e não ser apenas uma escola da Ciência, sempre associada ao mundo corporativo e aos interesses econômicos imediatos, ou seja, a produção das empresas e os recursos dos governos. Se a Economia deixar de lado a Filosofia, a Religião, a Cultura, a Educação, o Direito, a Psicologia, a Arte, a História, o que seria da Economia, nos termos atuais? Nada! Um sistema moribundo, ou um modelo destinado a crises crescentes e ao fracasso, em prazos cada vez menores.
A Economia não deve, portanto, ser apenas um modelo econômico restrito, "pensado", de forma abstrata ou linear, sem confrontos. Mas também não deve ser um modelo pronto e acabado, planejado, rígido, hierárquico, como foi a alternativa do socialismo como modelo produtivo. Fazer a crítica do capitalismo é muito mais fácil do que concretizar na história uma alternativa. A resultante disso acho que está bem delineada, nem o capitalismo nem o socialismo irão acabar, ou sumir. Eles têm de aprender a conviver, a colaborar um com o outro, em um sistema complexo.
Seria insensibilidade e cegueira pensar em um modelo econômico sem contradições, especialmente no regime capitalista. Os conflitos transbordam em todas as áreas, o capitalismo é um caldeirão sobre uma imensa fogueira. Por isso os ideais capitalistas abstratos, apenas pensados, não teriam base real, apenas intensificariam os conflitos. E os modelos marxistas restritos têm tantos problemas, de tantas naturezas, que jamais poderiam responder por todos os aspectos da produção de riquezas de uma sociedade.
Concordo plenamente com algo que foi afirmado no "post", atribuído a Keynes: a Economia como sendo "the art of choosing models which are relevant to the contemporary world" - a arte de escolher modelos que sejam relevantes para o mundo contemporâneo. Contudo, ainda segundo Keynes, essa arte deve ser combinada com o pensamento sobre os modelos econômicos. E é justamente esse pensamento sobre a Economia que precisa aprofundar-se e avançar, em termos das condições produtivas que existem hoje na sociedade, e não 100, 200 anos atrás.
Enviado por luisnassif, dom, 08/01/2012 - 08:00
Por Luiz Horacio
Comentário do post "Ainda sobre Bresser-Pereira"
Esse é um tema interessante e indispensável do nosso tempo: o pensamento clássico da Economia. Não creio que os "modelos" pensados atualmente consigam fugir muito das principais teorias econômicas, prefiro chamá-las assim, e por quê? Porque um modelo econômico para o mundo de hoje extrapolaria os campos da Economia. Teria de ser multidisciplinar e interdisciplinar. Teria de incorporar a contradição, sim, o contraditório faz parte dos sistemas, de sua composição. De outro lado, não poderia ser uma crítica igualmente excludente, ou seja, toda a teoria clássica está equivocada ou viciada pelo prisma das classes, e apenas as teorias "críticas" estão corretas. Esse também é um "modelo" insuficiente, e suas outras ordens de contradições e suas insuficiências foram provadas na história, durante a maior parte do século 20. Ainda há reminiscências disso, e o debate central continua preso a essas duas correntes que não conseguem se pensar dentro de um sistema realmente complexo.
O pensamento econômico "puro", sem "contradições", não consegue responder por toda a estrutura e em por toda a dialética de produção de riquezas da sociedade. A Economia deveria ser concebida e estudada de forma mais ampla, e não ser apenas uma escola da Ciência, sempre associada ao mundo corporativo e aos interesses econômicos imediatos, ou seja, a produção das empresas e os recursos dos governos. Se a Economia deixar de lado a Filosofia, a Religião, a Cultura, a Educação, o Direito, a Psicologia, a Arte, a História, o que seria da Economia, nos termos atuais? Nada! Um sistema moribundo, ou um modelo destinado a crises crescentes e ao fracasso, em prazos cada vez menores.
A Economia não deve, portanto, ser apenas um modelo econômico restrito, "pensado", de forma abstrata ou linear, sem confrontos. Mas também não deve ser um modelo pronto e acabado, planejado, rígido, hierárquico, como foi a alternativa do socialismo como modelo produtivo. Fazer a crítica do capitalismo é muito mais fácil do que concretizar na história uma alternativa. A resultante disso acho que está bem delineada, nem o capitalismo nem o socialismo irão acabar, ou sumir. Eles têm de aprender a conviver, a colaborar um com o outro, em um sistema complexo.
Seria insensibilidade e cegueira pensar em um modelo econômico sem contradições, especialmente no regime capitalista. Os conflitos transbordam em todas as áreas, o capitalismo é um caldeirão sobre uma imensa fogueira. Por isso os ideais capitalistas abstratos, apenas pensados, não teriam base real, apenas intensificariam os conflitos. E os modelos marxistas restritos têm tantos problemas, de tantas naturezas, que jamais poderiam responder por todos os aspectos da produção de riquezas de uma sociedade.
Concordo plenamente com algo que foi afirmado no "post", atribuído a Keynes: a Economia como sendo "the art of choosing models which are relevant to the contemporary world" - a arte de escolher modelos que sejam relevantes para o mundo contemporâneo. Contudo, ainda segundo Keynes, essa arte deve ser combinada com o pensamento sobre os modelos econômicos. E é justamente esse pensamento sobre a Economia que precisa aprofundar-se e avançar, em termos das condições produtivas que existem hoje na sociedade, e não 100, 200 anos atrás.
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