A crise na Europa e a troca de líderes: a vez de Sarkozy

Por Marcia
Do UOL
França: Com Hollande na frente, Sarkozy pode ser mais um líder europeu a perder o posto após crise
Depois de ficarem bem próximos nos resultados do primeiro turno da disputa presidencial na França, Nicolas Sarkozy  (UMP, centro-direita) e François Hollande (PS, centro-esquerda), duelam no segundo turno neste domingo (6). Sarkozy aparece um pouco atrás do rival nas pesquisas e já estaria pensando em fazer carreira na oposição, segundo declaração de um assessor do presidente-candidato à agência "Reuters".
No primeiro turno, o socialista teve 28,6% dos votos, contra 27,06% de Sarkozy. Se no segundo turno a vitória de Hollande se confirmar, Sarkozy será o 11º líder europeu a perder o cargo por não conseguir reverter os efeitos da crise econômica.
Nomes como os dos primeiros-ministros Silvio Berlusconi (Itália), José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Gordon Brown (Inglaterra), Georges Papandreou (Grécia), entre outros, foram derrotados em votações populares ou renunciaram devido à crise.
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Foto 118 de 132 - 26.abr.2012- Pôsteres trazem as imagens dos candidatos à Presidência da França, François Hollande e Nicolas Sarkozy, em Marseille (França), nesta quinta-feira. O segundo turno das eleições presidenciais ocorrem no domingo (6) Mais Claude Paris/APVeja quem caiu ou perdeu as eleições por causa da crise na Europa
  • Andrea Comas/Reuters

Na França, estão em discussão questões como o aumento do desemprego no país, as consequências da crise econômica mundial, o aumento do rigor no tratamento dispensado aos imigrantes, principalmente os muçulmanos, e um plano de contenção de gastos para a França.
O atual presidente se vê afetado pela crise econômica e também pela rejeição popular ao seu estilo pessoal. Mesmo que consiga virar a previsão das pesquisas, Sarkozy dificilmente conseguirá manter o apoio de 339 parlamentares (de um total de 577), nas eleições legislativas de junho.
Em seus últimos atos de campanha, Sarkozy advertiu os eleitores que, se escolherem Hollande, o futuro que lhes espera é “à espanhola”, uma referência às dificuldades econômicas do país vizinho, que vinha sendo comandado por governos socialistas, até a vitória do conservador Partido Popular.
Mas não são apenas os temas econômicos que mobilizam os candidatos. Questões polêmicas, como a imigração, também estão presentes, sobretudo depois do resultado obtido pelo partido da extrema direita Front Nacional no primeiro turno. A legenda alcançou 18% dos votos, com o discurso de que há imigrantes demais na França - usado tanto pela candidata do partido, Marine Le Pen, como pelo presidente Sarkozy.
Le Pen não apoiou nenhum dos dois candidatos para o segundo turno, afirmando que votar em Sarkozy seria uma "nova decepção" e votar em Hollande seria "uma falsa esperança. Já François Bayrou, antigo aliado de Sarkozy e que obteve 9,1% dos votos no primeiro turno, declarou que votará em Holande.
Uma pesquisa publicada pela revista "Paris Match" mantém Hollande na frente, com 52% das intenções de voto contra 48% de Sarkozy. O levantamento, contudo, foi feito antes do anúncio de Bayrou e do último debate entre os dois candidatos, realizado na quarta-feira. O instituto Ifop fez um levantamento logo após o debate, com 1.201 pessoas. O resultado foi que 42% consideraram que Hollande foi melhor, enquanto 34% preferiram a postura do atual presidente; 10% disseram que nem um nem outro foi melhor e 7% disseram que nenhum dos dois venceu o debate.
A apuração dos votos na França deverá começar às 20h de Paris (15h de Brasília).
O vencedor deve tomar posse no próximo dia 14. Em seguida, ocorrem as eleições legislativas francesas – em duas etapas: 10 e 17 de junho.
Candidato mais cotado para derrubar o atual presidente Sarkozy, François Hollande ganhou força entre o eleitorado após defender a implementação de políticas de crescimento da economia para combater a crise que assola a Europa. O político de 58 anos nascido em Rouen, no norte da França, entrou para o Partido Socialista (PS) aos 25 anos e foi primeiro-secretário da legenda entre 1997 e 2008. Em 1988, foi eleito deputado por Corrèze, departamento no centro da França. Em 1997, uma nova eleição o levou ao mesmo posto. Acumulou os cargos de prefeito de Tulle – capital de Corrèze – entre 2001 e 2008 e de presidente do conselho geral de Corrèze, desde 2008. Foi ainda eurodeputado entre julho e dezembro de 1999.
Hollande foi escolhido candidato do PS às presidenciais depois que o ex-presidente do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kahn se viu envolvido em um escândalo de agressão sexual. A escolha de Hollande ocorreu nas primeiras primárias socialistas abertas à população. Entre os pontos de seu programa estão a criação de uma agência europeia para regulamentar o sistema financeiro, a redução do uso da energia nuclear de 75% para 50% na produção energética nacional, a construção de 500 mil moradias por ano e a regularização de imigrantes ilegais com base em critérios objetivos (emprego, moradia e tempo de residência na França).
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/05/05/sarkozy-disputa-2-turno-com-hollande-e-pode-ser-mais-um-lider-europeu-a-perder-o-posto-apos-a-crise.htm