Enviado por dayanaaquino, seg, 27/09/2010 - 17:37
Na expansão de mercados consumidores, o Brasil vem firmando acordos e se aproximando de diferentes países emergentes. Nessa fila, o continente africano pode vir a ser um importante mercado consumidor de produtos e serviços brasileiros, mas ainda é preciso focar no desenvolvimento daquelas nações, fomentando a educação e o combate a miséria.
A opinião é da professora e pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lígia Maura Fernandes Garcia da Costa, que ressalta que o Brasil pode vir a ter oportunidades futuras com o esforço na cooperação. “Se o Brasil quer ser um líder, e realmente será, vai ter que investir nessas ações, e certamente terá um grande resultado”.
O Itamaraty abriu embaixadas em diferentes países africanos nos últimos anos, mas de acordo com a professora, embora as embaixadas possam colaborar com as relações comerciais, o foco dessas novas unidades está na cadeira do Conselho de Segurança da ONU.
“Não é fácil abrir um novo mercado, tampouco um mercado em países africanos, por questões culturais”, diz a professora, explicando que a pobreza naqueles países pode reduzir a segurança do empresário brasileiro em relação à amortização de dívidas. O investimento em ações de cooperação, a exemplo do que está em andamento pela Embrapa, pode ser uma forma de desenvolver os futuros mercados, mas o auxílio deve vir por meio de implantação de políticas públicas de longo prazo, que possibilitem o crescimento das economias locais, e não apenas da ajuda humanitária.
Em termos de oportunidades de negócios, tanto como mercado comprador dos bens e serviços brasileiros como aptos a internacionalização, está Angola. O país, com uma classe média forte, passou incólume aos piores meses da crise financeira mundial, e ampliou as importações dos produtos da indústria têxtil brasileira. Para o diretor de Negócios da Apex, Maurício Borges, o exemplo de Angola mostra que o país deve estar atento a todas as oportunidades de negócios, seja com os países emergentes ou os tradicionais mercados da Europa e dos Estados Unidos. “Nenhum mercado deve ser negligenciado”, diz o diretor.
Para a professora da FGV, o bom resultado de Angola pode ser fruto da instalação de empresas privadas no país, como a Odebrecht. Com uma carteira de projetos imobiliários e de infraestrutura no país, a empresa se torna um agente importador de diversos insumos e mão de obra qualificada, o que certamente pode ter deixado a balança comercial favorável em ano de crise.
O bom resultado da Odebrecht em território africano sinaliza uma boa oportunidade para as empresas se lançarem no continente em projetos de infra-estrutura, já que terão a segurança financeira dos governos locais. Em um segundo momento de desenvolvimento local, a exemplo do que ocorre com o Brasil e com a Índia, terá oportunidade maior o fabricante de bens de consumo para a população de baixa renda.
Competição
O protecionismo comum aos mercados tradicionais é umas das vantagens dos países emergentes. A falta de barreiras ou exigências mais maleáveis facilita a entrada de produtos brasileiros nesses mercados. O etanol brasileiro, por exemplo, que encontra dificuldades nos mercados europeus e americano, pode ser beneficiado neste sentido.
Para Borges há a possibilidade de adicionar de 10% a 15% de biocombustível no combustível tradicional sem necessidade de alterações no motor, o que poderia alterar significativamente as emissões de CO2 e ampliar as exportações brasileiras. O assunto já está em discussão entre os agentes interessados pelo tema.
Tunísia, Senegal, Camarões e Nova Guiné são alguns dos mercados promissores, na avaliação de Borges, e uma oportunidade não apenas de venda de produtos, mas também de tecnologia e serviços pelas empresas que possuem know how.
Diferentes setores podem favorecer as relações entre o Brasil e os países do continente. Um deles é o setor de peças automotivas, quando houver acordo com as montadoras, para a exportação de peças fabricadas no Brasil, na consideração do representante da Apex.
De modo geral, a avaliação de Borges é a de que houve uma abertura maior com outros países e relações de parceria no mundo todo. “Podemos exportar para vários mercados para sermos considerados um global player com qualidade reconhecida”, diz o diretor.
Essa qualidade já está se configurando a respeito dos produtos brasileiros como um dos fatores para garantir a competitividade. Se por um lado o câmbio pode puxar o preço, o produto mais caro pode ter o seu diferencial baseado no valor agregado.
“O Brasil está vendo que a competitividade não pode ser apenas no câmbio, e sim no design, na qualidade”.
Cooperação
Parte de uma política de governo, o Brasil, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está com diferentes ações no continente africano, visando o desenvolvimento de diferentes frentes da cadeia produtiva da agropecuária em alguns países do continente.
Uma das ações, a Plataforma África-Brasil, é fruto de parceria entre a Embrapa, Fórum para a Pesquisa Agrícola na África (FARA), Banco Mundial, Fundo Internacional de distribuição Agrícola e demais agências internacionais de fomento. A ideia do projeto é financiar projetos colaborativos para o desenvolvimento agropecuário na região, conforme explica o responsável pela Plataforma na Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa, Paulo Duarte.
Todo projeto está orçado em US$ 3 milhões. Está em análise os projetos que serão selecionados, que devem receber montantes entre US$ 80 mil e US$ 100 mil. Os selecionados serão nomeados durante o Fórum a ser realizado nos dias 6 e 7 de outubro, em Brasília, que vai receber integrantes dos agentes envolvidos na iniciativa, que discutirão os projetos e políticas.
“O objetivo é dar suporte ao desenvolvimento na África. No que compete a Embrapa, vamos apoiar a formação de conhecimento que podem gerar futuras políticas nos países", diz Duarte.
A demanda do governo pela cooperação com a África no ramo da pesquisa agropecuária também atende outros projetos: um é o Centro de Estudos e Capacitação, em Moçambique, com projetos de longo e curto prazo, financiados pela Agência Brasileira de Cooperação; outro, é para a cultura de arroz, no Senegal; existem também propostas de pesquisas para o algodão em quatro países do continente.
Data de publicação:
27/09/2010
Autor:
Dayana Aquino Na expansão de mercados consumidores, o Brasil vem firmando acordos e se aproximando de diferentes países emergentes. Nessa fila, o continente africano pode vir a ser um importante mercado consumidor de produtos e serviços brasileiros, mas ainda é preciso focar no desenvolvimento daquelas nações, fomentando a educação e o combate a miséria.
A opinião é da professora e pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lígia Maura Fernandes Garcia da Costa, que ressalta que o Brasil pode vir a ter oportunidades futuras com o esforço na cooperação. “Se o Brasil quer ser um líder, e realmente será, vai ter que investir nessas ações, e certamente terá um grande resultado”.
O Itamaraty abriu embaixadas em diferentes países africanos nos últimos anos, mas de acordo com a professora, embora as embaixadas possam colaborar com as relações comerciais, o foco dessas novas unidades está na cadeira do Conselho de Segurança da ONU.
“Não é fácil abrir um novo mercado, tampouco um mercado em países africanos, por questões culturais”, diz a professora, explicando que a pobreza naqueles países pode reduzir a segurança do empresário brasileiro em relação à amortização de dívidas. O investimento em ações de cooperação, a exemplo do que está em andamento pela Embrapa, pode ser uma forma de desenvolver os futuros mercados, mas o auxílio deve vir por meio de implantação de políticas públicas de longo prazo, que possibilitem o crescimento das economias locais, e não apenas da ajuda humanitária.
Em termos de oportunidades de negócios, tanto como mercado comprador dos bens e serviços brasileiros como aptos a internacionalização, está Angola. O país, com uma classe média forte, passou incólume aos piores meses da crise financeira mundial, e ampliou as importações dos produtos da indústria têxtil brasileira. Para o diretor de Negócios da Apex, Maurício Borges, o exemplo de Angola mostra que o país deve estar atento a todas as oportunidades de negócios, seja com os países emergentes ou os tradicionais mercados da Europa e dos Estados Unidos. “Nenhum mercado deve ser negligenciado”, diz o diretor.
Para a professora da FGV, o bom resultado de Angola pode ser fruto da instalação de empresas privadas no país, como a Odebrecht. Com uma carteira de projetos imobiliários e de infraestrutura no país, a empresa se torna um agente importador de diversos insumos e mão de obra qualificada, o que certamente pode ter deixado a balança comercial favorável em ano de crise.
O bom resultado da Odebrecht em território africano sinaliza uma boa oportunidade para as empresas se lançarem no continente em projetos de infra-estrutura, já que terão a segurança financeira dos governos locais. Em um segundo momento de desenvolvimento local, a exemplo do que ocorre com o Brasil e com a Índia, terá oportunidade maior o fabricante de bens de consumo para a população de baixa renda.
Competição
O protecionismo comum aos mercados tradicionais é umas das vantagens dos países emergentes. A falta de barreiras ou exigências mais maleáveis facilita a entrada de produtos brasileiros nesses mercados. O etanol brasileiro, por exemplo, que encontra dificuldades nos mercados europeus e americano, pode ser beneficiado neste sentido.
Para Borges há a possibilidade de adicionar de 10% a 15% de biocombustível no combustível tradicional sem necessidade de alterações no motor, o que poderia alterar significativamente as emissões de CO2 e ampliar as exportações brasileiras. O assunto já está em discussão entre os agentes interessados pelo tema.
Tunísia, Senegal, Camarões e Nova Guiné são alguns dos mercados promissores, na avaliação de Borges, e uma oportunidade não apenas de venda de produtos, mas também de tecnologia e serviços pelas empresas que possuem know how.
Diferentes setores podem favorecer as relações entre o Brasil e os países do continente. Um deles é o setor de peças automotivas, quando houver acordo com as montadoras, para a exportação de peças fabricadas no Brasil, na consideração do representante da Apex.
De modo geral, a avaliação de Borges é a de que houve uma abertura maior com outros países e relações de parceria no mundo todo. “Podemos exportar para vários mercados para sermos considerados um global player com qualidade reconhecida”, diz o diretor.
Essa qualidade já está se configurando a respeito dos produtos brasileiros como um dos fatores para garantir a competitividade. Se por um lado o câmbio pode puxar o preço, o produto mais caro pode ter o seu diferencial baseado no valor agregado.
“O Brasil está vendo que a competitividade não pode ser apenas no câmbio, e sim no design, na qualidade”.
Cooperação
Parte de uma política de governo, o Brasil, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está com diferentes ações no continente africano, visando o desenvolvimento de diferentes frentes da cadeia produtiva da agropecuária em alguns países do continente.
Uma das ações, a Plataforma África-Brasil, é fruto de parceria entre a Embrapa, Fórum para a Pesquisa Agrícola na África (FARA), Banco Mundial, Fundo Internacional de distribuição Agrícola e demais agências internacionais de fomento. A ideia do projeto é financiar projetos colaborativos para o desenvolvimento agropecuário na região, conforme explica o responsável pela Plataforma na Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa, Paulo Duarte.
Todo projeto está orçado em US$ 3 milhões. Está em análise os projetos que serão selecionados, que devem receber montantes entre US$ 80 mil e US$ 100 mil. Os selecionados serão nomeados durante o Fórum a ser realizado nos dias 6 e 7 de outubro, em Brasília, que vai receber integrantes dos agentes envolvidos na iniciativa, que discutirão os projetos e políticas.
“O objetivo é dar suporte ao desenvolvimento na África. No que compete a Embrapa, vamos apoiar a formação de conhecimento que podem gerar futuras políticas nos países", diz Duarte.
A demanda do governo pela cooperação com a África no ramo da pesquisa agropecuária também atende outros projetos: um é o Centro de Estudos e Capacitação, em Moçambique, com projetos de longo e curto prazo, financiados pela Agência Brasileira de Cooperação; outro, é para a cultura de arroz, no Senegal; existem também propostas de pesquisas para o algodão em quatro países do continente.
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