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Suposta ligação da CIA em crime no PCB, em 1973
Enviado por luisnassif, seg, 05/12/2011 - 14:17
Da Época
Ao eliminar dúvidas sobre as ligações entre Adauto Alves dos Santos, o Cenimar e a CIA, as revelações de Leonel Rocha reforçam uma suspeita ainda mais grave. Antigos dirigentes do PCB recordam que algumas circunstancias associam Adauto Alves dos Santos a pelo menos uma morte ocorrida no porão da ditadura.
No início de 1973, o dirigente regional do PCB Célio Guedes foi morto com um tiro na nuca nas dependências do Cenimar no Rio de Janeiro. Irmão de Armenio Guedes, um dos principais dirigentes do PCB naquela época, Célio costumava atuar como motorista da direção do partido. Foi apanhado no momento em que retornava ao Brasil de automóvel. Ele voltava do Uruguai, onde fora resgatar o mesmo Fued Saad que Adauto Alves dos SAntos denunciara na entrevista ao Jornal do Brasil.
As circunstâncias que ligam o destino de Célio Guedes a Adauto Santos passam pelos dirigentes que atuavam nas conexões internacionais do partido. Adauto também atuava na área internacional, usando uma entidade comercial Brasil-Estados Unidos como cobertura. Isso lhe dava muita liberdade de movimentos e assegurava acesso ao várias instancias do aparato clandestino do PCB. Um pouco antes da prisão, a casa de Fued Saad fora invadida pelo Cenimar, com quem Adauto Santos tinham vinculações comprovadas pela reportagem da Época. Na operação, os agentes levaram vários documentos do partido.
Fued Saad tentou atravessar a fronteira com documentos falsos mas isso não adiantou. A polícia tinha uma foto dele e foi reconhecido na hora.
Saad e Celio foram presos e embarcados num avião da FAB para o Rio de Janeiro. Levados para o Cenimar, acabaram separados pouco depois. Saad era diabético, teve uma crise e foi levado a um hospital e sobreviveu. Na última conversa que manteve com ele, Célio Guedes lhe disse que deveriam ficar quietos e não abrir a boca.
A morte de Célio Guedes não foi um caso típico de uma vítima de tortura. Não havia esse tipo de sinal em seu corpo, como aconteceu, por exemplo, com o jornalista Vladimir Herzog. Divulgou-se que ele havia se jogado do sexto andar durante seu interrogatório. Mas a marca de bala — na nuca, segundo familiares – aponta para outra hipótese.
A suspeita dos dirigentes do PCB envolve uma motivação especial para explicar a decisão e assassinar um militante de escalão intermediário do partido que cumpria funções como motorista.
Eles acreditam que, cada vez mais ligado ao Cenimar, Adauto Alves dos Santos estava presente ao local de interrogatório e acabou reconhecido por Célio Guedes. O crime teria sido cometido, assim, para proteger o infiltrado e garantir a continuidade de seus serviços para o Cenimar e para a CIA.
O próprio Fued Saad disse a outros dirigentes do partido que está convencido disso. Armenio Guedes , tem a mesma opinião.
Faz sentido. Falta provar.
Infiltrados sobrevivem pela eliminação de testemunhas, como registra o prontuário macabro do mais conhecido deles, o cabo Anselmo, que era o Cenimar.
Mas só se poderá conhecer um pouco da verdade quando os arquivos militares puderem ser consultados. Claro que a CIA também poderia ajudar. Mas alguém acredita que irá abrir seus arquivos para esclarecer um caso como este?
É ainda mais difícil. A embora não faltem testemunhos e até documentos sobre a atuação do governo americano no apoio ao golpe de 64, até hoje Washington sustenta que não teve nenhuma participação nos preparativos na queda de João Goulart.
Alguém acredita?
Agente da CIA pode estar ligado a morte no PCB
Paulo Moreira Leite
Em belíssima reportagem publicada neste fim de semana, o repórter Leonel Rocha, da Época, faz novas revelações sobre a atuação da CIA no Brasil, antes, durante e depois do golpe de 64.
Leonel Rocha demonstra, com documentos,
verdades que eram imaginadas mas não haviam sido comprovadas.
Na revelação mais importante, ele apresenta registros do Cenimar para
estabelecer os vínculos de um importante dirigente do PCB, Adauto Alves
dos Santos, com a CIA.
Um dos episódios conhecidos da vida de Adauto Alves dos Santos
envolveu uma entrevista dada ao Jornal do Brasil,em 1972. Usando nome
falso, ele fez denúncias e acusações contra o “Movimento
Comunista Internacional,” dando vários detalhes sobre as ligações da
União Soviética com os partidos comunistas. Adauto também fez
referencias à atuação de Fued Saad, que era responsável pela
seção internacional do partido. A reportagem demonstra com documentos
que a entrevista foi preparada no Rio de Janeiro, pelo Cenimar, com
ajuda da CIA.Ao eliminar dúvidas sobre as ligações entre Adauto Alves dos Santos, o Cenimar e a CIA, as revelações de Leonel Rocha reforçam uma suspeita ainda mais grave. Antigos dirigentes do PCB recordam que algumas circunstancias associam Adauto Alves dos Santos a pelo menos uma morte ocorrida no porão da ditadura.
No início de 1973, o dirigente regional do PCB Célio Guedes foi morto com um tiro na nuca nas dependências do Cenimar no Rio de Janeiro. Irmão de Armenio Guedes, um dos principais dirigentes do PCB naquela época, Célio costumava atuar como motorista da direção do partido. Foi apanhado no momento em que retornava ao Brasil de automóvel. Ele voltava do Uruguai, onde fora resgatar o mesmo Fued Saad que Adauto Alves dos SAntos denunciara na entrevista ao Jornal do Brasil.
As circunstâncias que ligam o destino de Célio Guedes a Adauto Santos passam pelos dirigentes que atuavam nas conexões internacionais do partido. Adauto também atuava na área internacional, usando uma entidade comercial Brasil-Estados Unidos como cobertura. Isso lhe dava muita liberdade de movimentos e assegurava acesso ao várias instancias do aparato clandestino do PCB. Um pouco antes da prisão, a casa de Fued Saad fora invadida pelo Cenimar, com quem Adauto Santos tinham vinculações comprovadas pela reportagem da Época. Na operação, os agentes levaram vários documentos do partido.
Fued Saad tentou atravessar a fronteira com documentos falsos mas isso não adiantou. A polícia tinha uma foto dele e foi reconhecido na hora.
Saad e Celio foram presos e embarcados num avião da FAB para o Rio de Janeiro. Levados para o Cenimar, acabaram separados pouco depois. Saad era diabético, teve uma crise e foi levado a um hospital e sobreviveu. Na última conversa que manteve com ele, Célio Guedes lhe disse que deveriam ficar quietos e não abrir a boca.
A morte de Célio Guedes não foi um caso típico de uma vítima de tortura. Não havia esse tipo de sinal em seu corpo, como aconteceu, por exemplo, com o jornalista Vladimir Herzog. Divulgou-se que ele havia se jogado do sexto andar durante seu interrogatório. Mas a marca de bala — na nuca, segundo familiares – aponta para outra hipótese.
A suspeita dos dirigentes do PCB envolve uma motivação especial para explicar a decisão e assassinar um militante de escalão intermediário do partido que cumpria funções como motorista.
Eles acreditam que, cada vez mais ligado ao Cenimar, Adauto Alves dos Santos estava presente ao local de interrogatório e acabou reconhecido por Célio Guedes. O crime teria sido cometido, assim, para proteger o infiltrado e garantir a continuidade de seus serviços para o Cenimar e para a CIA.
O próprio Fued Saad disse a outros dirigentes do partido que está convencido disso. Armenio Guedes , tem a mesma opinião.
Faz sentido. Falta provar.
Infiltrados sobrevivem pela eliminação de testemunhas, como registra o prontuário macabro do mais conhecido deles, o cabo Anselmo, que era o Cenimar.
Mas só se poderá conhecer um pouco da verdade quando os arquivos militares puderem ser consultados. Claro que a CIA também poderia ajudar. Mas alguém acredita que irá abrir seus arquivos para esclarecer um caso como este?
É ainda mais difícil. A embora não faltem testemunhos e até documentos sobre a atuação do governo americano no apoio ao golpe de 64, até hoje Washington sustenta que não teve nenhuma participação nos preparativos na queda de João Goulart.
Alguém acredita?
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