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A mesa de negociação para grandes obras de infraesturura
Enviado por luisnassif, qui, 15/12/2011 - 15:03
Por raquel_
Por Fernando Exman | De Brasília
Aproximadamente
nove meses depois da instalação da mesa de negociação da construção
civil pelo governo Dilma Rousseff, sindicalistas e empresários chegaram
ontem a um entendimento para a assinatura de um acordo que visa a
melhora das condições de trabalho nos canteiros das grandes obras de
infraestrutura do país.
A
mesa de negociação foi criada no fim de março pela Secretaria-Geral da
Presidência da República, depois que Camargo Corrêa e Odebrecht
enfrentaram graves problemas com milhares de trabalhadores insatisfeitos
com as condições de trabalho nos canteiros de obras das usinas
hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.
o pacto, que será redigido nas próximas semanas e assinado em janeiro
durante cerimônia que deve contar com a presença da presidente Dilma, o
objetivo do governo é evitar que problemas semelhantes voltem a
ocorrer. Uma comissão permanente será instalada para acompanhar a
implementação do compromisso.
"Ainda
não é um acordo coletivo, porque é de livre adesão. A ideia é que possa
ser um embrião de um futuro acordo nacional da construção civil, como
queremos fazer o de transportes e o de portos", comentou o presidente da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva, para
quem o chamado Compromisso Nacional Tripartite para Aperfeiçoar as
Condições de Trabalho na Indústria da Construção representa um avanço na
democratização das relações de trabalho. "A ideia é que seja um
instrumento que antecipe os conflitos."
O
impasse em relação à representação sindical nos locais de trabalho, que
atrapalhava a conclusão do acordo, foi superado. Ficou acertado que até
sete representantes dos sindicatos ficarão em contato frequente, nos
locais das obras, com gerentes designados pelas empresas e que tenham
poder de decisão. Assim que forem detectados problemas de transporte,
higiene e na alimentação, esses representantes indicados pelos
trabalhadores convocarão uma reunião com seus interlocutores para tentar
solucionar as pendências.
Os
representantes, que poderão ser reeleitos, terão mandatos de seis
meses. Inicialmente, o empresariado não queria garantir estabilidade a
esses representantes dos trabalhadores. Mas as centrais sindicais
obtiveram a garantia de que, se demitidos sem justa causa, tais
negociadores terão direito a receber os salários dos meses
correspondentes ao período restante de seus mandatos.
As
centrais sindicais argumentam que a iniciativa aumentará a
produtividade das obras que assinarem o compromisso. As construtoras,
por outro lado, diziam acreditar que a medida teria difícil aplicação no
setor. Procurado, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção
Pesada (Sinicon) não se manifestou sobre a reunião.
Governo,
sindicalistas e construtoras se comprometeram também a tentar acabar
com os chamados "gatos", os intermediadores de contratação de mão de
obra. Os "gatos" costumam circular em municípios menos desenvolvidos
prometendo salários elevados e condições de trabalho atraentes, as quais
acabam não se concretizando nos canteiros de obras. Como resultado, os
trabalhadores que se sentem enganados acabam provocando distúrbios que
paralisam os empreendimentos. O compromisso a ser firmado prevê que a
oferta de vagas, o recrutamento e a seleção serão feitos por meio do
Sistema Nacional de Emprego (Sine).
"As
empresas terão que contratar prioritariamente pessoas da região [dos
canteiros]", sublinhou o presidente da CUT. "Acaba a história de
contratar gente de cidades menores ou com alto índice de pobreza e as
pessoas não têm condições de trabalho e ficam jogadas às traças."
Outro
ponto previsto no acordo é o esforço para a qualificação dos
trabalhadores do setor. Os programas de qualificação serão bancados pelo
governo federal e o empresariado, enquanto os sindicatos terão de
apresentar demandas de formação e mobilizar os trabalhadores envolvidos.
O acordo também deve estabelecer a criação de comissões para a
discussão de medidas para melhorar a segurança e o cuidado da saúde dos
trabalhadores.
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