segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Miguel do Rosário: O desfecho do caso Lupi

Por José Carlos Lima
Miguel do Rosário, no Cafezinho
Fim da novela
Antes de entramos na seara política, que raras vezes nos traz boas notícias, vamos tomar dois revigorantes. O primeiro é escutar Água de Beber, de Tom Jobim, na voz calmante de Frank Sinatra.
E ler estes versos, da mesma canção, que deveriam ser gravados em bronze na porta da Fiesp.
Eu quis amar, mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração
sp? Sim, Fiesp. Os industriais ficam de tanta choradeira, com vistas a arrancar umas graninhas do governo, e ainda por cima acreditando nos jornais, e aí quando chega o Natal, acontece isso. Não é a primeira vez que pagam esse mico. As vendas do Natal estão “surpreendendo” e o comércio “sofre com estoque baixo“. Ou seja, a três semanas do Natal já está faltando produto nas prateleiras, porque não se acreditou – mais uma vez – na economia brasileira. Em alguns casos, os negócios já estão em 25% superiores aos registrados em 2010, que foi um ano de grande crescimento econômico. O amor, no caso o amor pelo Brasil, meus caros industriais, sabe que o medo… pode matar o seu coração, a nossa economia. Mas não vai não. De qualquer forma, essa é uma boa notícia. Passemos à política.
A novela ganhou um breve posfácio antes do fim, o que lhe deu um temperinho diferenciado. Lupi não caiu na sexta, mas no domingo. O ministro do Trabalho divulgou carta em tom varguista culpando a perseguição midiática. Dilma divulgou outra aceitando a demissão e agradecendo os serviços prestados.
Os jornalões deram grandes manchetes à mais uma “vitória”. De fato, a imprensa “livre” sai ainda mais fortalecida do episódio. Como um Bruce Lee (foto na capa do blog), faz gracinha com as mãos chamando a próxima vítima. No domingo, a matéria principal da seção política nos informa que o atual Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que é uma espécie de braço direito da presidente, faturou R$ 2 milhões em consultoria entre 2009 e 2010, antes de assumir o ministério. O caso está longe de se parecer ao de Palocci: Pimentel não exercia cargo público, jamais tinha sido ministro (e não podia saber que o seria), e os R$ 2 milhões em dois anos são bem diferentes dos R$ 20 milhões em um só ano que o Palocci embolsou em 2010. De qualquer jeito, o Globo de hoje dá um bom espaçopara Pimentel se defender. E o próprio foi bem rápido no gatilho, e publicou umesclarecimento em seu blog.  Parece que ele ganhou, na verdade, R$ 1,2 milhão em dois anos, porque o resto foi pagamento de impostos, já que todos os serviços prestados foram registrados na Receita.
No entanto, já ficou bastante claro que os ministérios são o flanco mais vulnerável do governo. Ainda mais agora que temos instituições de controle agindo com severidade, com destaque para uma CGU cada vez mais fortalecida e prestigiada, que vem reprovando sem piedade convênios e licitações irregulares. Temos Siafi, oportal da CGU, o Portal da Transparência. Imagino que o governo federal brasileiro deve ser o mais transparente do mundo, o que lhe confere instrumentos bastante eficazes para combater a corrupção, que ainda é muito alta, e ao mesmo tempo oferece constantemente um flanco vulnerável a seus adversários. O que estamos assistindo, portanto, são as dores decorrentes de um processo doloroso e profundo de depuração e mudança cultural.
Se olharmos bem, mesmo os escândalos denunciados pela imprensa, tiveram origem em figuras revoltadas com as penalidades e o expurgo que sofreram no governo, como foi o caso de João Dias, o ex-PM que decidiu se vingar do ministério do Esporte depois de constatar que a pasta não recuara em sua determinação de pedir a devolução dos recursos que havia lhe repassado.
A imprensa agora deu para falar em “herança maldita” e culpar o lulopetismo pelos desvios descobertos, mas omite que eles são descobertos através dos sistemas de controle e transparência implantados por Lula, aí incluindo uma Polícia Federal reforçada. Mesmo que eventualmente a denúncia venha inicialmente de um órgão de imprensa, é através da transparência que a imprensa consegue sondar em profundidade os desvios em questão.
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