'Privataria' gera enfrentamento entre PT e PSDB no Senado
Enviado por luisnassif, qui, 15/12/2011 - 14:04
Por Webster Franklin
Da Carta Maior
'Privataria' chega ao Senado, e PT e PSDB se enfrentam em plenário
Líder
petista pede providências ao Ministério Público e desafia PSDB a
debater 'capítulo triste'. Serrista fala em 'calúnia' para abafar
denúncias contra governo e expõe atrito interno, ao negar aparte a
Aécio. Na Câmara, líder do PMDB diz que 'não vai embarcar em CPI', para a
qual segue coleta de assinaturas, e ilustra efeito de silêncio da
mídia: 'Livro tem documentos mesmo?'
André Barrocal
BRASÍLIA – Depois de a Câmara reagir ao livro A Privataria Tucana com
pedido de CPI e discursos em plenário, nesta quarta-feira (14) foi a
vez do Senado. Da tribuna, o líder do PT, Humberto Costa (PE), provocou o
Ministério Público a tomar providências e desafiou o PSDB a debater o
que seria “um dos mais tristes capítulos” da história brasileira. Ao
responder, os tucanos apontaram “calúnia” para desviar foco de denúncias
contra o governo e expuseram diferenças entre aliados de José Serra e
Aécio Neves.
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text-align: justify; text-indent: 0px; text-transform: none;
white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color:
#ffffff;">Segundo Costa, o livro revelaria “entrega do patrimônio
público” durante privatizações no governo Fernando Henrique, com
“documentos contuntendes” que mostrariam “como alguns dos mais
proeminentes líderes do PSDB e pessoas próximas do ex-governador José
Serra conseguiram mandar para fora do país e trazer para o Brasil
dinheiro supostamente proveniente de propinas”.
Para
o petista, o livro vale a leitura e deveria será objeto de providências
de procuradores da República. "Até porque muitos dos crimes descritos
no livro não prescreveram”, disse Costa, que lamentou ter havido “pouca
atenção da mídia” até agora.
No
comando da sessão, a primeira-vice-presidente do Senado, Marta Suplicy
(SP), que também é do PT, disse: “Tive acesso a esse livro e realmente é
um espanto."
O
desafio petista foi respondido pelo senador tucano Aloysio Nunes
Ferreira (SP), um dos mais próximos da principal vítima do livro, o
ex-governador paulista José Serra, de quem foi chefe da Casa Civil.
A
exemplo de outro serrista ilustre, o presidente do PPS, deputado
Roberto Freire, Nunes Ferreira afirmou que o livro, que teria
“calúnias”, serve apenas para proteger a gestão Dilma. “Temos uma
denúncia de malfeitos no governo, e imediatamente já vem uma denúncia
contra a oposição.”
Atrito no ninho
Enquanto Nunes Ferreira discursava, o também senador tucano Aécio Neves (MG) pediu um aparte, que na linguagem parlamentar quer dizer algo como “licença para um comentário no meio de pronunciamento alheio”. O pedido foi negado, algo inusual. “Lamento profundamente; eu teria prazer enorme em corroborar com o discurso de Vossa Excelência”, resignou-se.
Atrito no ninho
Enquanto Nunes Ferreira discursava, o também senador tucano Aécio Neves (MG) pediu um aparte, que na linguagem parlamentar quer dizer algo como “licença para um comentário no meio de pronunciamento alheio”. O pedido foi negado, algo inusual. “Lamento profundamente; eu teria prazer enorme em corroborar com o discurso de Vossa Excelência”, resignou-se.
Na
véspera, o ex-governador de Minas Gerais tinha sido questionado pela
Agência Estado sobre o livro, e dera uma resposta que não é das melhores
para defender Serra: “Não é uma literatura que me interesse. Os que se
interessarem devem lê-lo."
Um discurso sobre Privataria feito
na tribuna da Câmara dos Deputados nesta quarta (14) ajuda a entender o
estranhamento entre Nunes Ferreira e Aécio e a declaração do mineiro.
“A idéia de mostrar como funcionava a 'arapongagem' de Serra dentro do partido [PSDB] para
atacar o adversário Aécio Neves – questão que motivou o início da
investigação de Amaury Ribeiro Jr. – fica quase irrelevante diante de
tudo o que o jornalista descobriu, em 12 anos de trabalho, sobre como a
turma de Serra se deu bem ao dilapidar o patrimônio público brasileiro
nos anos 90”, disse o deputado Ivan Valente (SP), presidente nacional do
PSOL.
Nos bastidores de Brasília, fala-se que parte das investigações do autor de Privataria,
o jornalista Amaury Ribeiro Jr., começou por interesse de Aécio de se
proteger contra Serra na disputa que os dois travavam no PSDB como
postulantes a candidato a presidente da República. Amaury foi repórter
do jornal O Estado de Minas durante parte da gestão de Aécio como
governador do estado.
Quando
voltou à tribuna para uma tréplica contra Aloysio Nunes Ferreira,
Humberto Costa foi irônico. “É interessante como a oposição se posiciona
nesta Casa. São os grandes arautos da moralidade, as vestais da
honestidade, que tudo querem investigar. Sai uma nota num jornal, querem
convocar o ministro para vir ao Congresso Nacional, pedem a abertura de
uma CPI, vão para o Ministério Público. Agora, diante de um livro de
300 páginas, que tem 141 documentos sobre as coisas que estão aqui
denunciadas, uma única palavra para se pedir apuração eu não ouço por
parte da oposição.”
CPI na Câmara
Autor de um pedido de abertura de uma CPI da Privataria Tucana, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) continuou a coletar assinaturas nesta quarta-feira (14). Ele está atuando em dobradinha com o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), mas os dois ainda não conseguiram atingir o número mínimo de 171 assinaturas necessário.
CPI na Câmara
Autor de um pedido de abertura de uma CPI da Privataria Tucana, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) continuou a coletar assinaturas nesta quarta-feira (14). Ele está atuando em dobradinha com o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), mas os dois ainda não conseguiram atingir o número mínimo de 171 assinaturas necessário.
Em
tese interessado no assunto, o PT ainda não decidiu, como partido, como
irá se comportar neste caso, embora os líderes no Senado e na Câmara,
Paulo Teixeira (SP), estejam dispostos a bancar algum tipo de confronto
mais duro com os tucanos. O pedido de CPI tem alguns signatários do PT,
mas a reportagem testemunhou quando um petista abordado por Protógenes
reagiu dizendo que precisava esperar por um posicionamento do partido.
Sempre
um dos fiéis da balança no Congresso, com o peso de uma das duas
maiores bancadas da Casa, o PMDB avisa que não quer se meter. “Não vamos
embarcar em CPI. Essa é uma briga de PT e PSDB, vamos manter
distância”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN).
Ao conversar com a reportagem, Alves mostrou os efeitos da pouca divulgação do livro pelos veículos de comunicação.
“Não vi o livro ainda, ele tem documentos mesmo?”
“Tem umas 300 páginas, e um terço é de documentos.”
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