sexta-feira, 4 de novembro de 2011



‎(...)"As fotografias a sépia que enfeitam os móveis, dão essa vida aos fantasmas, fazem a memória perdurar num espaço sem tempo, olhamos os rostos dos falecidos, como se eles ainda vivessem, presos a uma eternidade construída de imagens, que se vai desconfigurando ao longo do tempo, e por vezes esses rostos surgem-nos como uma névoa, sem olhos, sem boca, sem expressão, e é preciso procurar numa t...raiçoeira memória, os lábios dos que amamos, o som da voz querida, o calor que os seus corpos emanavam em vida, o seu odor, e os abraços, os abraços longos que demos, e tocamos o papel onde está impresso esse rosto, esse momento, onde por um instante ele se torna novamente em carne, e quase conseguimos ouvir o seu grito, quase ouvimos a sua voz, tão sonante em nós como uma trovoada, que nos desperta para a brevidade da vida e para todos os abraços que ficaram por dar" (....)



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