quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luis nassif Blog

Qual recado o senhor levará ao governo de Dilma Rousseff?




A primeira coisa será encontrar o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Preciso encontrá-lo e garantir que possamos discutir todos os temas. Entendi que haverá uma apresentação minha ao Congresso também. A mensagem que daremos é a de que já fizemos concessões em várias áreas. Espero que possamos compartilhar o sentimento de que chegou o momento de fazer avançar a preparação e não falar mais de leis e regulamentos, que agora devem ser aprovados e assinados. Espero fechar nos próximos dias esse capítulo para passar à organização de fato da Copa.



Há alguma chance de a Fifa flexibilizar sua insistência em ter bebidas alcoólicas nos estádios, como pede o Brasil?



Isso é algo que já foi informado desde o primeiro dia. Na Rússia (Copa de 2018) já está resolvido, mesmo num país que tem tantos problemas com as bebidas e onde o governo está agindo contra o alcoolismo. Li que o Catar (sediará a Copa de 2022) oficialmente anunciou que iria autorizar a venda de cerveja em locais determinados, o que é algo que vai contra não apenas a lei, mas também talvez contra uma visão da religião. O que estamos pedindo não é algo que surgiu na semana passada. Portanto, não há motivo para mudar isso.



A Fifa já indicou que aceita meia-entrada para idosos. E para os estudantes?



Não. No encontro com a presidente Dilma Rousseff (em Bruxelas, há três semanas), ela me disse que isso (meia-entrada para idosos) era uma lei nacional e não quero agir contra leis nacionais. Mas eu também disse a ela que, para todos os demais grupos - estudantes, ex-jogadores, doadores de sangue -, prefiro trabalhar com entradas categoria 4, que cobrirá esses grupos.



Qual será o menor preço de ingressos? A Fifa já estabeleceu?



Não, mas estamos trabalhando nisso. Estamos falando de um preço mais baixo que será válido do segundo jogo ao final da primeira fase. Ele não inclui nem a abertura e nem a final, que também terão preços acessíveis. Mas nos jogos da primeira fase, teremos entradas entre US$ 20 e US$ 30. Esse será mais ou menos o valor.



Qual é, na sua avaliação, o maior problema hoje na preparação brasileira?



Não estou preocupado com os estádios. Sabemos que estarão prontos. O que me preocupa é tudo ao redor dos estádios, o caminho até eles. Os torcedores dizem que, se há uma Copa que querem ir, é a do Brasil. Se alguém vai ao Mundial, o resto da família também dirá que quer ir para aproveitar e conhecer o Rio e a Amazônia. O que temos de garantir é que ir ao Brasil seja um sonho e não um pesadelo.



No passado, o senhor disse que gostaria de agrupar as seleções para que não fizessem viagens tão longas. Agora, o calendário da Copa é outro. Quem acompanhar a seleção viajará mais de 10 mil quilômetros.



Pelo menos ele dirá que viajou. Isso (o calendário) vem de um desejo forte do Brasil, dizendo que queria que seleções e torcedores pudessem se mover. É um compromisso, um desafio. Sim, serão voos longos. Mas seria uma pena estar no Brasil e ver apenas Rio, Recife ou São Paulo. Vamos garantir que torcedores e times viagem por todo o País. O Comitê Executivo discutiu isso e um dos membros disse que achava que era muita viagem. Todos os demais disseram: desculpa, mas temos de fazer isso. Os times terão aviões à disposição. Para os torcedores, temos de garantir que o sistema aéreo brasileiro tenha aviões suficientes e com preços sob controle. O governo pode ajudar no controle de preços, como ocorreu na África.



As suspeitas de corrupção no Ministério do Esporte e as investigações contra Ricardo Teixeira afetam a imagem do Brasil?



Acho que são duas coisas diferentes. A Copa é sobre futebol e os torcedores querem saber quais seleções vão se classificar e querem desfrutar dos jogos. Se houvesse problemas de segurança, seria outra história.



No Congresso, há a sensação por parte de alguns deputados, como Romário, de que a Fifa quer criar um estado dentro de estado com suas leis. Como o senhor vê essa reação?



Isso me deixa perplexo e triste. Não há nada de novo no que estamos pedindo. Tudo estava nos documentos que foram assinados pelo Brasil em 2007. Desde então, fizemos algumas concessões e terminamos um documento em abril de 2011 com Orlando Silva. Não entendo por que as pessoas insistem que queremos substituir a lei brasileira e o governo brasileiro durante os 32 dias da Copa. Baseado na troca de documentos, o Brasil disse que faria a Copa baseado em determinadas condições e nós dissemos que faríamos juntos. Acho que a luta não deve ser entre o Brasil e a Fifa. A briga está errada. Salvo se essas pessoas querem usar a Copa, que é uma boa plataforma.



Mas o que ocorre se a Lei Geral da Copa não passar da forma que a Fifa quer?



O que ocorrerá é que não organizaremos uma Copa em boas condições. No final, não haverá vencedores. O Brasil não vai vencer a Fifa. Romário ou outros deputados não vão vencer a Fifa. Ou fazemos juntos e teremos sucesso ou não vamos ganhar. A Copa ocorre no Brasil de qualquer jeito. Mas temos de garantir que seja boa.


O senhor já foi informado sobre quanto custará a Copa?




Sei quanto custará potencialmente para a Fifa. Será um custo de quase US$ 1 bilhão.



Mas qual o preço final da Copa?



Há uma série de custos que são renovações e coisas que vão ser usadas para a Copa, mas que já estavam sendo preparadas. Não sei do dinheiro para a Copa.

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