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O protesto no curso de economia de Harvard
Enviado por luisnassif, qua, 14/12/2011 - 10:00
Por Assis Ribeiro
De Harvard para as ruas
João Sicsú
Dia 2 de novembro. O dia dos mortos. No curso introdutório de
economia (rotulado “economia 10”) da Universidade de Harvard, os alunos
ressuscitaram. Entregaram uma carta ao renomado professor Gregory Mankiw
informando que estavam se retirando da sua sala de aula em protesto
contra o conteúdo do curso que o economista está lecionando. Escreveram:
“Hoje, estamos saindo de sua aula, Economia 10, a fim de expressar o nosso descontentamento com o viés dado a este curso de introdução à economia. Estamos profundamente preocupados com a maneira que esse viés afeta os estudantes, a Universidade e a sociedade, em geral.”
“Hoje, estamos saindo de sua aula, Economia 10, a fim de expressar o nosso descontentamento com o viés dado a este curso de introdução à economia. Estamos profundamente preocupados com a maneira que esse viés afeta os estudantes, a Universidade e a sociedade, em geral.”
De volta à carta. Em seguida o texto dos estudantes explicita o viés mencionado: “não há justificativa para a apresentação de teorias econômicas de Adam Smith como sendo mais essenciais ou básicas do que, por exemplo, a teoria keynesiana”.
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Segundo os estudantes, o curso teria a tendência de valorizar a teoria da “mão invisível” do mercado, a ideia fundamental do pensamento smithiano, em detrimento das visões que valorizariam o papel do Estado, a concepção keynesiana, como promotor do equilíbrio e do bem estar. Aparentemente, os alunos têm razão, cursos de introdução à economia devem apresentar uma visão ampla da teoria, mostrando que existem diversas possibilidades de leitura da realidade econômica. Embora jovens, os alunos sabem as consequências de cursos tendenciosos:
“Graduados de Harvard jogam um papel importante nas instituições financeiras e na definição de políticas públicas em todo o mundo. Se Harvard não equipar seus alunos com uma compreensão ampla e crítica da economia, é provável que suas ações prejudiquem o sistema financeiro global. A prova disso são os últimos cinco anos de turbulência econômica.”
Melhor ainda: os alunos não se retiraram da sala de aula para lanchar no McDonald´s. Foram para as ruas.
“Estamos saindo hoje para nos juntar a uma ampla marcha em Boston para protestar contra a mercantilização do ensino superior que é parte do movimento global ‘Occupy’. Já que a natureza viesada do curso Economia 10 simboliza e contribui para a crescente desigualdade econômica nos Estados Unidos, nós estamos saindo da aula de hoje tanto para protestar contra a sua discussão inadequada da teoria econômica básica, como para emprestar o nosso apoio a um movimento que está mudando o discurso americano sobre injustiça econômica.”
Em novembro, manifestações do 'Ocuppy' ganharam o reforço dos economistas de Harvard. Foto: AFP/Timothy A. Clary“A administração da universidade, que tinha ouvido falar sobre o planejamento do protesto, enviou vários policiais, como medida de precaução, para sentar na minha classe no dia [da manifestação]. Felizmente, eles não foram necessários.”
“… minha (…) reação foi de tristeza ao percebr como mal informados parecem estar os manifestantes de Harvard. Tal como acontece com grande parte do movimento ‘Occupy’ por todo o país, suas queixas me parecem ser um apanhado de platitudes anti-establishment sem uma análise realística ou claras prescrições de política.”
Para acessar a carta dos estudantes de Harvard:
http://hpronline.org/harvard/an-open-letter-to-greg-mankiw/
Para acessar a resposta de Gregory Mankiw:
http://www.nytimes.com/2011/12/04/business/know-what-youre-protesting-ec...

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