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Brics se unem para defender protecionismo
Enviado por luisnassif, qui, 15/12/2011 - 14:21
De O Estado de S. Paulo
Grupo se une contra proposta dos países ricos de congelar as tarifas de importação
Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo
GENEBRA
- Os países do Brics mostram força e se unem para rejeitar a proposta
das economias ricas de congelar as tarifas de importação. Ontem, em
Genebra, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul declararam que
querem manter o direito de elevar tarifas e adotar medidas
protecionistas para desenvolver suas políticas industriais, num claro
sinal do impacto da crise mundial na mudança radical do comportamento
dos governos.
Nesta
quarta-feira, 14, a OMC abre sua conferência ministerial, numa das
reuniões mais esvaziadas da história. Distante de um cenário em que se
debaterá a liberalização do comércio, a crise internacional transformou o
evento numa batalha de países por manter seus direitos de se proteger
contra a concorrência estrangeira.
p style="margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em;
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text-align: justify; text-indent: 0px; text-transform: none;
white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; background-color:
#ffffff;">Na véspera do encontro, a China anunciou barreiras a carros
americanos, acusando Washington de dumping. Nesta quarta, será a vez de
o decreto no Brasil entrar em vigor, beneficiando a produção local de
veículos. As medidas vão no sentido contrário do que pedem americanos e
europeus e são um banho de água fria nas esperanças do diretor da OMC,
Pascal Lamy, de renovar seu mandato para negociar uma queda de barreiras
pelo mundo.
Um
grupo de 50 países liderados por Austrália, Europa, Japão e Estados
Unidos vai propor que todos os países se comprometam a não elevar
tarifas de importação, como forma de evitar que a crise se aprofunde.
Ontem, os Brics fizeram questão de se unir para rejeitar a ideia.
"Estamos
comprometidos a resistir às forças protecionistas, mas sempre mantendo o
espaço para políticas", afirmou o chanceler Antonio Patriota, que
presidiu a reunião dos ministros dos Brics.
O
"espaço para políticas" se refere à autorização que a OMC dá a países
para que elevem tarifas até um patamar preestabelecido. O Brasil, por
exemplo, aplica uma tarifa média de 12%. Mas, pela lei, tem o direito de
incrementa-la a 35%, sem ferir as regras. Nos últimos meses, o Brasil
já promoveu essa elevação em mais de 900 produtos.
Rob
Davies, ministro do Comércio sul-africano, alertou que o congelamento
de tarifas bloquearia a capacidade de atuação dos países emergentes,
enquanto abre as portas para que os países ricos continuem subsidiando
suas exportações e suas empresas locais. Para os Brics, subsídios
agrícolas também devem ser considerados como uma forma de protecionismo.
Mas
a aliança entre os Brics seria mais frágil do que se poderia imaginar.
Ontem os chineses criticaram as barreiras brasileiras no setor
automotivo e agrícola. Momentos depois da conferência de imprensa que
tinha como meta mostrar a união entre os Brics, ministros do Brasil e da
África do Sul entraram em uma sala para falar do protecionismo mútuo
que os afeta. Pretória se queixa das barreiras impostas pelo Brasil ao
vinho sul-africano, enquanto o Itamaraty se queixa do bloqueio à carne
suína.
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