quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A segurança dos navios da Vale

Do Wall Street Journal / Valor
Por CHUIN-WEI YAP de Pequim
Empresas chinesas de navegação pediram ao governo da China que monitore mais atentamente o padrão de segurança de uma nova classe de navio construída pela Vale SA, a maior mineradora de ferro do mundo em volume de produção.
A Vale está lançando ao mar uma frota com capacidade para 400.000 toneladas de peso morto chamada "Valemax", que tem sido criticada por empresas chinesas de transporte marítimo e cujo primeiro navio teve de voltar para casa devido a rachaduras no tanque de lastro, depois de partir carregado de um porto brasileiro.
CSHIPS

Agence France-Presse/Getty Images
O cargueiro de minério Vale Baijing é rebocado do terminal Ponta da Madeira em São Luiz, depois de ter tido rachaduras em sua viagem inaugural. Transportadoras chinesas querem que o governo pense bem antes de deixar navios da Vale atracarem no país.
Transportadoras chinesas acreditam que os navios, os maiores do mundo em capacidade de carga, podem consolidar o já considerável poder da Vale sobre o mercado de minério de ferro transportado via marítima. A Vale e as mineradoras anglo-australianas BHP Billiton e Rio Tinto controlam juntas a maior parte do comércio naval de minério de ferro, crucial para a fabricação do aço.
"O governo tem que estudar cuidadosamente se deve permitir que navios como esses lancem âncora nos portos chineses […] eles podem causar facilmente problemas de segurança e poluição", disse a Associação de Armadores da China num comunicado no fim da terça-feira. A associação citou o Vale Beijing, cujos tanques de lastro racharam depois que o navio recebeu 263.000 toneladas de minério num porto brasileiro. Ele foi rebocado de volta para análises e reparo do problema.
"Isso mostra que o desenho do navio ainda não está maduro", disse a associação, acrescentando que "se ocorrer vazamento de combustível ou contaminação, isso pode ser desastroso. Não é possível se confirmar se o desenho, material e tecnologia desses navios podem resistir aos testes de resistência em alto-mar".
Não foi possível localizar imediatamente representantes da Vale para comentar a questão.
A sul-coreana STX Pan Ocean Co., que construiu e opera o navio para a Vale, disse semana passada que o Vale Beijing pode ser consertado e voltar a navegar, e que a causa das rachaduras está sendo investigada.
Um diretor do alto escalão da Vale já tinha chamado as rachaduras de "muito sérias e inusitadas" e dito que ainda estavam sendo investigadas, mas que era cedo demais para saber se levarão a Vale a cancelar seu contrato com o estaleiro.
Esses "very large ore carriers", ou grandes cargueiros de minério, conhecidos pela sigla em inglês VLOC, são quase duas vezes maiores que o primo mais próximo, os do tipo Capesize, cuja capacidade geralmente é de 180.000 toneladas de peso morto. Os Valemax são a tentativa da Vale de reduzir a desvantagem da distância para chegar ao mercado chinês que enfrenta em relação à BHP Billiton e a Rio Tinto.

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