sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Canto Esponjoso


de Carlos Drummond de Andrade



Bela

esta manhã sem carência de mito,

e mel sorvido sem blasfémia.



Bela

esta manhã ou outra possível,

esta vida ou outra invenção,

sem, na sombra, fantasmas.



Umidade de areia adere ao pé.

engulo o mar, que me engole.

Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz

azul

completa

sobre formas constituídas.



Bela,

a passagem do corpo, sua fusão

no corpo geral do mundo.

Vontade de cantar. Mas tão absoluta

que me calo, repleto.



postado por Célia de Lima em 18-03-2010

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