Frankfurt Book Fair)
Termino a feira de Frankfurt sempre exausto. Mas aprendi a também gostar desses dias de correria, para os quais tenho destinado apenas palavras negativas.
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A intensa vida social do lobby dos hotéis Frankfurter Hof e Hessischer Hof são muitas vezes o exemplo do que não gosto na feira. Lá os editores se amontoam antes do evento começar, na terça-feira, e depois nos fins da tarde e nas noites entre quarta e sábado.
Jimmy’s, o cigar bar do Hessischer Hof, é o novo point de encontro dos que se cansaram do lobby do Frankfurter Hof, e fervilha até altas horas.
É muito comum editores e agentes ficarem bebendo e conversando até 4h da manhã, mesmo tendo seu primeiro encontro na feira marcado para as 9h30. No ano passado, após vinte e sete anos vindo a Frankfurt, ao perguntar a uma amiga como alguns colegas aguentavam esse pique, ouvi surpreso que era comum o uso de energizantes ou drogas por parte dos mais festeiros. Como não frequento esse lado da feira, e em geral perto da meia-noite estou me preparando para dormir, a minha surpresa foi total, e a risada de quem me contava — o que para ela era mais que óbvio — foi facilmente ouvida nos corredores da feira.
Com tudo isso, porém, tenho que dizer que o encontro com verdadeiros amigos, como Jonathan Galassi, Carol Janeway, Ravi Mirchandavi e Carlo Feltrinelli, entre outros, mesmo em meio a essa balbúrdia social, me deixa feliz.
Afinal, é bom ver o trabalho da editora sendo reconhecido, e realizar que, em meio a uma vida social extremamente retraída, construí grandes amizades nesses quase trinta anos de feiras e viagens como editor.
Um ponto negativo deste ano aconteceu justamente quando uma agente queridíssima, Eva Kolranik, generosamente me elogiava, falando da posição que a Companhia das Letras ocupa, em sua opinião, no mercado editorial brasileiro. Sua interlocutora era uma editora americana com quem tive pouco contato, por conta da falta de interesses editoriais em comum e de uma agenda muito cheia. Ao ouvir os elogios da agente amiga, a editora retrucou, “Ah sim, eu conheço o trabalho e a reputação dele. Deve ser por isso que é tão esnobe também”. Ao que eu imediatamente respondi, “O que se pode dizer ao ouvir um comentário dessa natureza?”, e em seguida saí aborrecido do centro de agentes.
Ainda bem que, logo em seguida, encontrei um outro editor, com quem divido autores, livros e histórias, e abracei-o matando as saudades. Contei-lhe sobre a obra de Drummond na Companhia, e ouvi dele sobre um jovem autor que ele havia descoberto. Bem ao estilo europeu, segurando o seu braço, percorri os pavilhões até a saída. A feira deste ano já estava encerrada para mim.
Termino a feira de Frankfurt sempre exausto. Mas aprendi a também gostar desses dias de correria, para os quais tenho destinado apenas palavras negativas..
A intensa vida social do lobby dos hotéis Frankfurter Hof e Hessischer Hof são muitas vezes o exemplo do que não gosto na feira. Lá os editores se amontoam antes do evento começar, na terça-feira, e depois nos fins da tarde e nas noites entre quarta e sábado.
Jimmy’s, o cigar bar do Hessischer Hof, é o novo point de encontro dos que se cansaram do lobby do Frankfurter Hof, e fervilha até altas horas.
É muito comum editores e agentes ficarem bebendo e conversando até 4h da manhã, mesmo tendo seu primeiro encontro na feira marcado para as 9h30. No ano passado, após vinte e sete anos vindo a Frankfurt, ao perguntar a uma amiga como alguns colegas aguentavam esse pique, ouvi surpreso que era comum o uso de energizantes ou drogas por parte dos mais festeiros. Como não frequento esse lado da feira, e em geral perto da meia-noite estou me preparando para dormir, a minha surpresa foi total, e a risada de quem me contava — o que para ela era mais que óbvio — foi facilmente ouvida nos corredores da feira.
Com tudo isso, porém, tenho que dizer que o encontro com verdadeiros amigos, como Jonathan Galassi, Carol Janeway, Ravi Mirchandavi e Carlo Feltrinelli, entre outros, mesmo em meio a essa balbúrdia social, me deixa feliz.
Afinal, é bom ver o trabalho da editora sendo reconhecido, e realizar que, em meio a uma vida social extremamente retraída, construí grandes amizades nesses quase trinta anos de feiras e viagens como editor.
Um ponto negativo deste ano aconteceu justamente quando uma agente queridíssima, Eva Kolranik, generosamente me elogiava, falando da posição que a Companhia das Letras ocupa, em sua opinião, no mercado editorial brasileiro. Sua interlocutora era uma editora americana com quem tive pouco contato, por conta da falta de interesses editoriais em comum e de uma agenda muito cheia. Ao ouvir os elogios da agente amiga, a editora retrucou, “Ah sim, eu conheço o trabalho e a reputação dele. Deve ser por isso que é tão esnobe também”. Ao que eu imediatamente respondi, “O que se pode dizer ao ouvir um comentário dessa natureza?”, e em seguida saí aborrecido do centro de agentes.
Ainda bem que, logo em seguida, encontrei um outro editor, com quem divido autores, livros e histórias, e abracei-o matando as saudades. Contei-lhe sobre a obra de Drummond na Companhia, e ouvi dele sobre um jovem autor que ele havia descoberto. Bem ao estilo europeu, segurando o seu braço, percorri os pavilhões até a saída. A feira deste ano já estava encerrada para mim.
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