Abordagens possíveis para o julgamento do mensalão
Enviado por luisnassif, dom, 22/07/2012 - 11:43
Por JB Costa
Comentário ao post "O julgamento do mensalão e o embate entre ministros do STF"
A abordagem desse episódio hoje sub-judice tem que, necessariamente, adentrar na esfera da Simbologia no sentido de que se alça acima do episódico e passa a retratar, ontem, como hoje, toda uma gama de crenças, ideias, percepções, desejos e, obviamente, fatos.
A face externa, a única pela qual a Justiça poderá se debruçar é que, sim, ocorreram irregularidades envolvendo políticos, empresários e burocratas, cuja tipificação foi explícita na denúncia feita pelo Parquet junto ao Supremo. Se os elementos probatórios inexistem, são fracos, ou anuláveis, para uma eventual condenação ou absolvição, só os operadores do Direito terão alguma base para afirmar algo.
Mas, subjacente a esse viés, digamos positivo da questão, há simbolismos nela envolvido: político, ideológico e psicossocial. Antes de particularizar cada um, algumas indagações preliminares: Por que o PT? Por que o Lula? Por que a esquerda? Por que o dito “mensalão tucano” foi “esquecido”, mercê de ter sido a experiência pioneira? É possível a existência de ética e moralidade na Política? Ou, dito de outro modo, é possível sua práxis sem a recorrência ao hiperpragmatismo fronteiriço com a ilicitude?
Antes e após a breve experiência tumultuada de João Goulart, apeado do Poder por um golpe cívico-militar, éramos jejunos até 2003 de um governo de verniz predominantemente esquerdista - reformista, apesar de Lula ter sido eleito em 2002 por uma frente partidária ampla e compromissado com parte do ideário neoliberal, em especial na política macroeconômica. Não obstante, para todos os efeitos, em especial para os segmentos mais conservadores, a esquerda chegava ao Poder, antecedida por um discurso de cunho progressista, em termos político e moralista em termos ideológicos. Era necessário, apregoava-se aos quatro cantos, “desmontar tudo que aí está”. Assim entoavam os arautos da Nova Ordem a ser implantada.
Bem, oposição é oposição. Governar é que são elas. O exercício do Poder, máxime quando precedido com promessas de mundos e fundos, no final faltam estes e sobram aqueles. E o imaginário do cidadão comum era que a parte principal, se não a mais fácil, era exercitá-lo com a ética e moralidade tantas vezes cobradas de outrem. E é aí que entra o primeiro simbolismo desse dito “mensalão”: a constatação que no exercício da política não há singularidades positivas. Se alguma nivelação houver, será sempre por baixo.
E foi por aí que a grande mídia conservadora meteu a sua cunha. Foi a sua válvula de escape para tentar enfraquecer politicamente um governo a ela antagônico. Repetindo as experiências pretéritas, em especial no segundo governo Vargas.
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