O fim do corralito na Argentina
Enviado por luisnassif, sex, 03/08/2012 - 14:34
Do O Globo
Argentina anuncia fim do 'corralito' em passe de mágica
Para críticos do governo Kirchner, anúncio é jogada de marketing
BUENOS AIRES – Nesta sexta-feira, o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, desembolsará US$ 2,3 bilhões (entre juros e principal) para saldar a última parcela do famoso Boden 2012, o título emitido pela Argentina em janeiro de 2002 para compensar as vítimas do confisco de depósitos em dólares (o chamado corralón). A medida foi comemorada nesta quinta pela Casa Rosada em clima de declaração da independência do país, como mostrou uma mensagem divulgada através do site do Ministério da Economia: "Sem dívida somos mais livres".
_ O Boden 2012 é o dinheiro que os bancos deveriam ter devolvido aos argentinos _ declarou Cristina.
Na rede social Twitter, o ministro da Economia, Hernán Lorenzino, assegurou que "a Argentina pagou o Fundo (Monetário Internacional) e não segue mais receitas. Isso é independência econômica". A presidente, que nesta quinta à noite realizou seu décimo segundo discurso em rede nacional de rádio e TV deste ano, comunicou a medida como o "fim do corralito" (o confisco de todos os depósitos do país, em pesos e moeda estrangeira, aplicado em dezembro de 2001).
No entanto, ainda restam parcelas do Boden 2013, que vence em abril do ano que vem, com um último desembolso de US$ 1,962 bilhão. O Boden 2012 foi emitido pelo ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), poucos depois de ter afirmado em seu primeiro discurso como chefe de Estado que "quem depositou dólares, receberá dólares".
Sem os dólares necessários para cobrir os saques de milhões de argentinos que todos os dias corriam aos bancos para retirar seus depósitos em moeda estrangeira (as aplicações em pesos foram confiscadas no final de 2001), o governo foi obrigado a descumprir uma promessa do então presidente e apelar para a emissão de bônus.
Nos últimos anos, os papéis foram revendidos para investidores estrangeiros e hoje estima-se que 70% do total estão em poder de fundos como o Fidelity Investment e o Black Rock. Os pagamentos começaram a ser realizados em 2008 e totalizarão, com o vencimento de hoje, US$ 17,5 bilhões. O governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez grandes negócios com o Boden 2012, título que o líder bolivariano costumava chamar de "bônus Kirchner".
Desde que os Kirchner chegaram ao poder, em 2003, a dívida pública argentina passou por processos de restruturação e grandes pagamentos, como o que foi feito ao FMI em 2005, de cerca de US$ 10 bilhões. No entanto, de acordo com dados oficiais, no final de 2011 a dívida do país alcançava US$ 178,9 bilhões, o que representa um aumento de US$ 53 bilhões frente a 2005. Atualmente, a dívida argentina representa 19,3% do PIB do país.
Dirigentes da oposição questionaram o anúncio de ontem da presidente.
– Nem terminou o corralito, nem estamos em processo de desendividamento – afirmou o deputado Claudio Lozano, do partido Unidade Popular. Segundo ele, "todos os anos nossa dívida aumenta, em média, em US$ 10 bilhões".
A mesma posição foi adotada por outros dirigentes da oposição, entre eles o deputado e cineasta Fernando "Pino" Solanas, que já apresentou denúncias na Justiça pela suposta ilegalidade da dívida argentina.
Argentina anuncia fim do 'corralito' em passe de mágica
Para críticos do governo Kirchner, anúncio é jogada de marketing
BUENOS AIRES – Nesta sexta-feira, o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, desembolsará US$ 2,3 bilhões (entre juros e principal) para saldar a última parcela do famoso Boden 2012, o título emitido pela Argentina em janeiro de 2002 para compensar as vítimas do confisco de depósitos em dólares (o chamado corralón). A medida foi comemorada nesta quinta pela Casa Rosada em clima de declaração da independência do país, como mostrou uma mensagem divulgada através do site do Ministério da Economia: "Sem dívida somos mais livres".
_ O Boden 2012 é o dinheiro que os bancos deveriam ter devolvido aos argentinos _ declarou Cristina.
Na rede social Twitter, o ministro da Economia, Hernán Lorenzino, assegurou que "a Argentina pagou o Fundo (Monetário Internacional) e não segue mais receitas. Isso é independência econômica". A presidente, que nesta quinta à noite realizou seu décimo segundo discurso em rede nacional de rádio e TV deste ano, comunicou a medida como o "fim do corralito" (o confisco de todos os depósitos do país, em pesos e moeda estrangeira, aplicado em dezembro de 2001).
No entanto, ainda restam parcelas do Boden 2013, que vence em abril do ano que vem, com um último desembolso de US$ 1,962 bilhão. O Boden 2012 foi emitido pelo ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), poucos depois de ter afirmado em seu primeiro discurso como chefe de Estado que "quem depositou dólares, receberá dólares".
Sem os dólares necessários para cobrir os saques de milhões de argentinos que todos os dias corriam aos bancos para retirar seus depósitos em moeda estrangeira (as aplicações em pesos foram confiscadas no final de 2001), o governo foi obrigado a descumprir uma promessa do então presidente e apelar para a emissão de bônus.
Nos últimos anos, os papéis foram revendidos para investidores estrangeiros e hoje estima-se que 70% do total estão em poder de fundos como o Fidelity Investment e o Black Rock. Os pagamentos começaram a ser realizados em 2008 e totalizarão, com o vencimento de hoje, US$ 17,5 bilhões. O governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez grandes negócios com o Boden 2012, título que o líder bolivariano costumava chamar de "bônus Kirchner".
Desde que os Kirchner chegaram ao poder, em 2003, a dívida pública argentina passou por processos de restruturação e grandes pagamentos, como o que foi feito ao FMI em 2005, de cerca de US$ 10 bilhões. No entanto, de acordo com dados oficiais, no final de 2011 a dívida do país alcançava US$ 178,9 bilhões, o que representa um aumento de US$ 53 bilhões frente a 2005. Atualmente, a dívida argentina representa 19,3% do PIB do país.
Dirigentes da oposição questionaram o anúncio de ontem da presidente.
– Nem terminou o corralito, nem estamos em processo de desendividamento – afirmou o deputado Claudio Lozano, do partido Unidade Popular. Segundo ele, "todos os anos nossa dívida aumenta, em média, em US$ 10 bilhões".
A mesma posição foi adotada por outros dirigentes da oposição, entre eles o deputado e cineasta Fernando "Pino" Solanas, que já apresentou denúncias na Justiça pela suposta ilegalidade da dívida argentina.
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