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segunda-feira, 1 de abril de 2013


Zeca Baleiro e a peça Lampião e Lancelote
Enviado por luisnassif, seg, 01/04/2013 - 13:52
Do blog da Cosac Naify
Confrontos Culturais - Entrevista com Zeca Baleiro
Lampião e Lancelote, de Fernando Vilela, é um dos livros mais premiados do Brasil. Recebeu dois prêmios Jabuti, quatro prêmios FNLIJ e menção Honrosa na Feira de Bolonha, além de ter entrado no White Ravens (catálogo anual das melhores publicações infantojuvenis do mundo). Editado pela Cosac Naify em 2006, foi recentemente adaptado para o teatro, com direção de Débora Dubois, narração de Cássio Scapin (o Nino de Castelo Rá-Tim-Bum), cenários de Duda Arruk e figurinos de Márcio Vinicius. Um dos destaques da adaptação é a trilha sonora, criada especialmente para a peça por Zeca Baleiro, que conversou com o Blog da Cosac Naify sobre o trabalho.
O livro trata de um encontro entre Lampião, o famoso cangaceiro do sertão, e Lancelote, o cavaleiro da Távola Redonda do Rei Arthur, em uma aventura de visual deslumbrante. “O mais interessante na obra é a ideia de confronto cultural, que pode sugerir muitas coisas, como a colonização que o Brasil sofreu (e sofre!), tanto territorial quanto cultural”, opina Zeca Baleiro. “Além do quê, é bastante divertido, lúdico e mesmo instigante ver que personagens tão distantes e distintos como Lampião e Lancelote têm algo em comum (e que é comum a todos) – a condição humana.”
Elenco da peça (foto de João Caldas)
Zeca afirmou que o processo de elaboração de uma trilha sonora é muito diferente de um trabalho 100% autoral: “No caso de uma peça, a música está a serviço de outra forma de arte e mesmo da concepção artística de outra cabeça (ou cabeças). Diferente da composição gratuita de uma canção, em que eu falo o que quero, penso e sinto e da forma como quiser.”
Na trilha, o compositor buscou refletir o contraste entre os dois estilos – sertanejo e medieval –  que se chocam na peça: “A música do Nordeste sofreu muita influência da música medieval – cordel, repente, coco, aboio, tudo isso vem de uma mesma matriz ibérica/moura, com origem na Idade Média. Mas, para o bem da dramaturgia da peça, era necessário enfatizar as diferenças, e não as semelhanças culturais entre os dois universos”.

Apesar de ainda estar sem planos de lançar a trilha em CD ou na internet, Zeca Baleiro vê pontos de contato entre a composição para Lampião e Lancelote e o resto de sua obra: “Minhas referências estão lá, inevitavelmente, ainda que haja outras “indicações” também – da direção, do autor, dos atores… De um modo ou de outro, é um trabalho autoral de compositor”, reflete o músico.
  

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