Pedido de prisão no Xingu motiva protestos em SP
Enviado por luisnassif, qua, 04/07/2012 - 17:12
Pedido de prisão no Xingu motiva protestos em
SP
Por Lilian Milena, no Brasilianas.org
Da Agência Dinheiro Vivo
Ato popular promovido por movimentos sociais em São Paulo prestará solidariedade a 11 pessoas que tiveram pedido de prisão decretado pela polícia do Pará. O grupo, supostamente, teria organizado a depredação de salas do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM).
No dia 16 de junho, cerca de 150 pessoas invadiram e depredaram 35 escritórios localizados no canteiro de obras da Vila Santo Antônio, em Altamira, oeste do Pará. A assessoria de imprensa da CCBM informou que o cálculo monetário das perdas decorrentes da destruição de equipamentos eletrônicos, queima de móveis e destruição de projetos chega a R$ 500 mil.
A partir do boletim de ocorrência protocolado pela CCBM na delegacia da região do Xingu, a Polícia Civil entrou com representação no judiciário pedindo a prisão de 11 pessoas, dentre elas integrantes e assessores do Movimento Xingu Vivo para Sempre, um padre, uma freira, um pescador, missionários indigenistas e um documentarista de São Paulo. A solicitação aguarda parecer do Ministério Público de Altamira.
Contexto
O Movimento Xingu Vivo organizou durante os dias 13 e 17 de junho o seminário “Xingu+23”, nome que, além de ser inspirado na “Rio+20”, que sucedeu ao evento, remete a lembrança de que, há 23 anos, grupos indígenas com auxílio de organizações não governamentais conseguiram impedir a construção da usina de Kararaô, primeiro projeto de hidrelétrica na bacia do Rio Xingu, hoje substituído pelo empreendimento de Belo Monte.
A Polícia Civil acusa organizadores do evento de terem articulado a invasão com base na identificação dessas pessoas no registro de câmeras de segurança da CCBM.
Marco Polo, advogado da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), que defende os réus, afirma que não existem provas conclusivas de que os 11 indiciados participaram ou encabeçaram a destruição das salas. Parte do seu argumento se baseia no fato dos advogados de defesa terem sido impedidos de ter acesso às imagens em vídeo que, segundo a Policia Civil, compõe as provas.
“A ação da Polícia Civil é uma tentativa de criminalizar as lideranças do movimento Xingu Vivo e desmobilizar a luta contra a barragem de Belo Monte. As imagens que supostamente teriam dos manifestantes não foram divulgadas até agora para comprovar as acusações”.
Segundo Marco Polo a decisão da juíza responsável pelo processo no Ministério Público de Altamira está marcada para segunda-feira, 9 de julho. Os advogados do movimento Xingu Vivo chegaram a fazer um pedido de habeas corpos preventivo para garantir a liberdade dos acusados, logo que souberam do pedido de prisão. A solicitação foi aceita no Ministério Público, mas negada na Justiça.
O contra-ataque
Polo diz que após o julgamento de segunda-feira, constantado que não há provas do envolvimento dos manifestantes na destruição de escritórios da CCBM, o grupo de advogados do movimento Xingu Vivo irá entrar com ações de indenização contra a CCBM, a polícia do Estado e o governo do Estado.
No dia 28, cerca de 140 organizações de defesa de direitos humanos entraram com uma denúncia de perseguição de manifestantes contrários a Belo Monte por parte da Polícia Civil do Pará, na Comissão Internacional de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH-OEA).
Em São Paulo, o movimento Acampa Sampa Ocupa Sampa organiza uma marcha e um ato público “contra a criminalização da luta contra Belo Monte” para quinta-feira (05). A concentração está marcada para as 17h30, no Pátio da Luz. Num segundo momento o grupo seguirá para o prédio do Museu da Resistência, antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), órgão do governo largamente utilizado pelo Regime Militar de 1964 para controlar e reprimir movimentos políticos e sociais.
Dentre os presos políticos que já passaram por lá estão o jornalista Vladimir Herzog, encontrado morto nas dependências do DOPS e Dilma Rousseff.
“O objetivo de escolhermos este local para protestar é traçar um paralelo não só do fato de Belo Monte ser um projeto da Ditadura Militar, como dos perseguidos da época serem hoje os perseguidores e violadores de direitos, como a presidente Dilma e o ministro [de Minas e Energia Edson] Lobão”, declarou Thiago Rosa, integrante do movimento
Por Lilian Milena, no Brasilianas.org
Da Agência Dinheiro Vivo
Ato popular promovido por movimentos sociais em São Paulo prestará solidariedade a 11 pessoas que tiveram pedido de prisão decretado pela polícia do Pará. O grupo, supostamente, teria organizado a depredação de salas do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM).
No dia 16 de junho, cerca de 150 pessoas invadiram e depredaram 35 escritórios localizados no canteiro de obras da Vila Santo Antônio, em Altamira, oeste do Pará. A assessoria de imprensa da CCBM informou que o cálculo monetário das perdas decorrentes da destruição de equipamentos eletrônicos, queima de móveis e destruição de projetos chega a R$ 500 mil.
A partir do boletim de ocorrência protocolado pela CCBM na delegacia da região do Xingu, a Polícia Civil entrou com representação no judiciário pedindo a prisão de 11 pessoas, dentre elas integrantes e assessores do Movimento Xingu Vivo para Sempre, um padre, uma freira, um pescador, missionários indigenistas e um documentarista de São Paulo. A solicitação aguarda parecer do Ministério Público de Altamira.
Contexto
O Movimento Xingu Vivo organizou durante os dias 13 e 17 de junho o seminário “Xingu+23”, nome que, além de ser inspirado na “Rio+20”, que sucedeu ao evento, remete a lembrança de que, há 23 anos, grupos indígenas com auxílio de organizações não governamentais conseguiram impedir a construção da usina de Kararaô, primeiro projeto de hidrelétrica na bacia do Rio Xingu, hoje substituído pelo empreendimento de Belo Monte.
A Polícia Civil acusa organizadores do evento de terem articulado a invasão com base na identificação dessas pessoas no registro de câmeras de segurança da CCBM.
Marco Polo, advogado da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), que defende os réus, afirma que não existem provas conclusivas de que os 11 indiciados participaram ou encabeçaram a destruição das salas. Parte do seu argumento se baseia no fato dos advogados de defesa terem sido impedidos de ter acesso às imagens em vídeo que, segundo a Policia Civil, compõe as provas.
“A ação da Polícia Civil é uma tentativa de criminalizar as lideranças do movimento Xingu Vivo e desmobilizar a luta contra a barragem de Belo Monte. As imagens que supostamente teriam dos manifestantes não foram divulgadas até agora para comprovar as acusações”.
Segundo Marco Polo a decisão da juíza responsável pelo processo no Ministério Público de Altamira está marcada para segunda-feira, 9 de julho. Os advogados do movimento Xingu Vivo chegaram a fazer um pedido de habeas corpos preventivo para garantir a liberdade dos acusados, logo que souberam do pedido de prisão. A solicitação foi aceita no Ministério Público, mas negada na Justiça.
O contra-ataque
Polo diz que após o julgamento de segunda-feira, constantado que não há provas do envolvimento dos manifestantes na destruição de escritórios da CCBM, o grupo de advogados do movimento Xingu Vivo irá entrar com ações de indenização contra a CCBM, a polícia do Estado e o governo do Estado.
No dia 28, cerca de 140 organizações de defesa de direitos humanos entraram com uma denúncia de perseguição de manifestantes contrários a Belo Monte por parte da Polícia Civil do Pará, na Comissão Internacional de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH-OEA).
Em São Paulo, o movimento Acampa Sampa Ocupa Sampa organiza uma marcha e um ato público “contra a criminalização da luta contra Belo Monte” para quinta-feira (05). A concentração está marcada para as 17h30, no Pátio da Luz. Num segundo momento o grupo seguirá para o prédio do Museu da Resistência, antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), órgão do governo largamente utilizado pelo Regime Militar de 1964 para controlar e reprimir movimentos políticos e sociais.
Dentre os presos políticos que já passaram por lá estão o jornalista Vladimir Herzog, encontrado morto nas dependências do DOPS e Dilma Rousseff.
“O objetivo de escolhermos este local para protestar é traçar um paralelo não só do fato de Belo Monte ser um projeto da Ditadura Militar, como dos perseguidos da época serem hoje os perseguidores e violadores de direitos, como a presidente Dilma e o ministro [de Minas e Energia Edson] Lobão”, declarou Thiago Rosa, integrante do movimento
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