segunda-feira, 24 de setembro de 2012


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Alzira Nogueira Reis, a primeira mulher a votar no país
Enviado por luisnassif, seg, 24/09/2012 - 08:48



Por antonio francisco

Dra. ALZIRA NOGUEIRA REIS foi a primeira mulher mineira a se formar em medicina e a primeira brasileira a se alistar e ter deferido o seu título eleitoral.



Do Notáveis da Família

Alzira Nogueira Reis

1ª Mulher a Votar no Brasil
1ª Médica de Minas Gerais

Nascida em 8 de Novembro de 1886, em Minas Novas, em uma casa na descida da Barra. Falecida em 23 de Agosto de 1970, em Niterói. Está sepultada no Cemitério do Maruí, no jazigo 966, da Família Vieira Ferreira.

Filha de José da Costa Reis e de Dona Augusta Pinheiro Nogueira. Neta paterna de Antonio Mendes dos Reis e Carlota Maria dos Reis. Neta materna de José Bento Nogueira e Cândida Pinheiro Torres.

ÁRVORE DE COSTADOS

Bisneta paterna de Antonio Mendes da Costa e Theodora Maria dos Reis. Bisneta paterna de Joaquim José dos Reis e Maria Francisca de Paula. Bisneta materna do Guarda Mor José Bento Nogueira Góes e Jacinta Maria da Conceição. Bisneta materna do Guarda Mor João Pinheiro Torres e Ana Ferreira Coelho. Terceira neta paterna de João Mendes da Costa e Maria Rosa do Nascimento. Terceira neta paterna de Manoel da Rocha Reis e Francisca Bárbara da Encarnação. Terceira neta paterna de Manoel dos Reis e Maria da Conceição (na dúvida) Terceira neta materna de José da Silva e... Nogueira Góes. Terceira neta materna de Jacinto Alves da Costa e Maria Cardoso de Matos. Terceira neta materna Francisco Pinheiro Torres e de Dona Ana Alves de Macedo. Terceira neta materna de José Ferreira Coelho e Ana Thadéia de Jesus. Quarta neta paterna de Antonio Mendes da Costa e Antonia Gomes. Quarta neta paterna de Antonio de Sousa Machado e Maria Dias. Quarta neta materna de Manoel Nogueira de Sá e Ignácia Maria de Jesus. Quarta neta materna de Francisco Antonio da Costa e Joaquina Alves Chaves. Quarta neta materna de Jacinto Cardoso de Matos e Ana Pereira Guedes. Quarta neta materna de Manuel Pinheiro Torres e Jacinta Maria Marques. Quarta neta materna de Domingos Alves de Macedo e Ana Mariz. Quarta neta materna de Francisco Ferreira Coelho e Maria Escolástica de Figueiredo. Quinta neta paterna de Rafael de Sousa Machado Magalhães e Menezes e Josefa da Silva Vieira. Quinta neta materna de José de Sá e de Dona Joana Nogueira do Prado Leme. Quinta neta materna de José Garcia Rosa e Maria Rosa. Quinta neta materna de Ernesto José da Costa e Prudência Antonia Joaquina de Jesus. Quinta neta materna de Manoel de Sousa Guedes e Maria Nunes Pereira. Quinta neta materna de Manuel Joaquim Torres e de Dona Maria Pinheiro Batista. Quinta neta materna de Domingos de Macedo e de Dona Joana Micaela de Jesus. Quinta neta materna de Pedro Leolino Mariz e Bernarda Mariz d´Olivença. Sexta neta materna de Bento Francisco Martins e Jerônima Sá. Sexta neta materna de Thomé Rodrigues Nogueira do Ó e de Dona Maria Leme do Prado. Sexta neta materna de Pedro Vieira e Maria Rosa. Sexta neta materna de Francisco Botelho e Maria da Conceição das Neves. Sexta neta materna de Manoel Rodrigues Góes e Maria de Borba Gato. Sexta neta materna de João Pinheiro Neto e Lourença Maria. Sexta neta materna de Manoel Antonio e de Dona Thereza de Jesus. Sexta neta materna de João Álvares e de Dona Maria Donvirgem.

MAGISTÉRIO
Fez o curso normal em Minas Novas, na Escola fundada pelo seu avô, Senador José Bento Nogueira. No Rio de Janeiro, matriculou-se no Berlitz School, onde aprendeu inglês e francês.

Segundo o seu Diário “Muito de Mim para Meus Filhos”, lia os livros de seu tio materno, Deputado Nogueira Jr.

De sua biblioteca (*), na sua ausência, retirei dois livros que muito influenciaram sobre mim: “Estudos Alemães” e “Polêmicas”, de Tobias Barreto. Sempre busquei autores por este citados, como Sílvio Romero, Mme. De Stäel (De L´Allmagne) e muitos outros.


Sem dúvida alguma, a grande paixão de Alzira era Nietzche. Em 1965, deu-me o seu exemplar de “Assim Falava Zarathustra” e sempre o me pedia de volta. Eu levava, ela o lia por algum tempo e me devolvia. Guardo-o até hoje.

Aos 16 anos, recebendo o Diploma de Professora, assumiu a cadeira de Santa Cruz da Chapada, indo mais tarde para Minas Novas ocupar uma vaga deixada por um professor que falecera. Dali transferiu-se depois para o Grupo Escolar de Ouro Preto, até que o Governo designou-a para Juiz de Fora. Assim, foi que começou a lutar pela vida a futura doutora. Em Juiz de Fora foi que nasceu na então Professora, a vontade de ser médica, e ali fez os devidos preparos, a fim de se submeter aos exames do curso secundário, que naquele tempo constava dos exames chamados “de conjunto”. Transferida para Belo Horizonte, pode concretizar seu grande sonho.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina


Professora, aos 16 anos, em Santa Cruz da Chapada, tendo ficado sob os cuidados do primo Monsenhor Mendes.


Em Santa Cruz da Chapada passei mêses de trabalho e de tristeza; como viver longe assim de casa? De fato eu tinha ali o Monsenhor Mendes (Pe. Antonio Mendes Nogueira), meu primo, filho de tia Ritinha, irmã de vovô, e do seu 1º. marido que eu não conheci. Seu 2º marido foi quem levou de Ouro Branco para lá meu Pai, e por isto nós o chamávamos Vovô Mendes e à nossa tia, Vovó Ritinha. Professora em Minas Novas, ocupando a vaga de um professor que falecera:


Então já era eu professora primária em Minas Novas, tendo antes ficado quasi 1 ano, como professora distrital, em Santa Cruz da Chapada, ganhando menos de 120,00 mensais. Meu Avô, político, arranjou-me essa nomeação e a remoção para a cidade onde o ordenado era de cêrca de 150,00 por mês. Alegre por ver-me trabalhando, dizia-nos: “Vocês recebem os juros de trinta contos! É uma fortuna!”

Professora em Ouro Preto, segundo seu Diário:

Se não o fizesse, interpretariam mal as frases mal ouvidas e no dia seguinte os disse-que-disse se avolumavam... Afinal decidi-me: vim com meu Avô para Belo Horizonte, fui ao presidente Bueno Brandão e lhe pedi minha remoção para a Capital. - “Aqui não há vagas, mas está em organização o grupo escolar de Ouro Preto; há oitenta candidatas mas farei sua remoção, se quizer...”


Transferida pelo Governo, foi Professora em Juiz de Fora, transferida depois para Belo Horizonte. Em Teófilo Otoni, fundou o “Curso São Vicente”, quando ainda não havia Ginásio na cidade.

A ESCRITORA

Foi poetisa, autora de muitos versos nos idos de 1900, como demonstra a crítica publicada no Jornal Argonauta, da cidade de Tubarão, de Santa Catarina. Durante esse meio século de existência de vida tranqüila e feliz, Belo Horizonte tem ouvido o canto de muitas poetisas que aqui viveram e sonharam. De memória podemos fazer uma ligeira estatística das que mais versos publicaram nos jornais e revistas que aqui circularam durantes esse longo período (cita várias poetisas).


Alzira Reis, em 1913, freqüentava a Escola de Medicina, onde se distinguia pelo seu talento e pela sua cultura. Num dos números de “Vita”, dessa época, encontramos sob o título “Às Portas da Ciência”, o seguinte soneto de sua autoria:

Que importa o que se diz. As velhas teorias
Estão cheias de pó, corroídas pela traça;
Pertenço à geração moderna destes dias,
Meu cérebro evolui, minha alma a ciência abraça!
Permitam-me que pense e cerre às fantasias
Meu coração. Sou livre e tudo me embaraça!
Prendem-me às tradições, roubam-me as energias
E às idéias irreais mandam-me erguer a taça!
É frágil a mulher; num momento impensado,
Sem o temor de um Deus, dos pais ou dos amigos
Interna-se na noite escura do pecado”.
Ó deixem-me lutar, se querem ver e crer;
Por entre as multidões, em meio dos perigos
Mais duradouro se ergue o templo do Dever!

“História Alegre de Belo Horizonte”
De Djalma Andrade


Em meados dos anos 50, iniciou um manuscrito “Muito de Mim para Meus Filhos”, mas não foi além de umas cinqüenta páginas de um caderno escolar. No final dos anos 60, Alzira publicou o romance: “Amores na Guerra e na Paz”.

A REVOLUCIONÁRIA
“Devia haver mais mulheres no mundo pensando como eu...”.
“O destino da mulher não podia ser o fogão“.
“Sentia-me prisioneira fora e dentro de mim”.
“Não me caso enquanto não houver divórcio no Brasil”.


São desabafos que expressam o pensamento de Alzira, nos idos de 1900, escritos por ela em seu diário, em 1952. As idéias libertárias de Alzira, o seu desejo de igualdade, talvez se expliquem pelo contato com o meio social da Capital Federal, onde as informações dos acontecimentos políticos e feministas na Europa e nos Estados Unidos chegavam pelos jornais. É possível que as constantes viagens ao Rio de Janeiro, em companhia do avô Senador, tenham influenciado o pensamento de Alzira, moça do interior de Minas Gerais.

É preciso considerar também o ambiente familiar em que Alzira vivia, os homens em especial, como veremos adiante. Homens cultos, influentes, de pensamento avançado para a época, certamente foram marcantes para que Alzira se tornasse uma mulher de fibra e ousada, mas em especial, acreditamos na influência de uma mulher excepcional para o seu tempo: a sua tia materna, Luiza Pinheiro Nogueira, conhecida como Sinhazinha Badaró, que foi Chefe Política de Minas Gerais.

Pequena Biografia de Sinhazinha Badaró
Luiza Pinheiro NogueiraNascida em 1 de Novembro de 1868. Falecida em 12 de Maio de 1954. Conhecida como Sinhazinha Badaró. Chefe Política no Vale do Jequitinhonha. Com a morte de seu marido, Sinhazinha entrega ao seu filho, Badaró Jr., a chefia política de Minas Novas. Dividido o jovem Badaró Jr. não aceita a responsabilidade com receio de prejudicar sua bela carreira de médico. Ante a recusa do filho em ocupar a chefia política, Dona Sinhazinha toma a decisão de tomar as rédeas da política de sua terra.

Sinhazinha Badaró
Valdivino Pereira Ferreira


Mais importante ainda são as conquistas de Alzira à luz dos dias de hoje quando sabemos que, no início de 1900, as suas viagens ao Rio de Janeiro eram feitas em lombo de mula. De Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, até Belo Horizonte, eram cerca de 500 km percorridos, e até Diamantina, 300 km representando muitos dias de viagem em lombo de mulas. Em Belo Horizonte, ou em Diamantina, tomava-se o trem para o Rio de Janeiro.

A JORNALISTA

Em Teófilo Otoni, colaborou por longos anos publicando seus trabalhos no “O Nordeste Mineiro”. Em companhia de seu marido, o Dr. Vieira Ferreira Neto, hoje, Juiz de Direito em Niterói, fundou o jornal “O Estudante”. Figuram escritos seus na “Tribuna Feminina”, e na imprensa de Belo Horizonte, Rio e Niterói.

Djalma Andrade
100 Anos de Medicina

Em companhia do seu marido, Dr. Joaquim Vieira Ferreira Netto, fundou o jornal “O Estudante”, em Teófilo Otoni, entre 1926 e 1931.

Articulista
Alzira jamais deixou de escrever. Morasse onde morasse estava sempre colaborando com os jornais locais, defendendo as suas causas.

Jornal “O Mucuri”, de Teófilo Otoni.
Jornal “O Nordeste Mineiro”, de Teófilo Otoni.
Jornal “Tribuna Feminina”, de Teófilo Otoni.
Jornal “Diário da Noite”, Ouro Preto.
Jornal “O Fluminense”, de Niterói.
Revista Feminina, de São Paulo

Revista Feminina
A Revista Feminina, uma publicação mensal dirigida às mulheres, publicada entre 1914 e 1936, em São Paulo, por Virgilina Salles de Souza, e que teve entre as suas colaboradoras Júlia Lopes de Almeida, Francisca Júlia da Silva, Alzira Reis, Francisca Praguer Fróes, jamais esposou tal idéia. Como observa Sandra Lima em seu estudo sobre a revista:

“O divórcio era encarado como ultrajante e prejudicial à mulher, e para reforçar essa visão colaboradoras expressavam seu repúdio a esse perigo que punha em risco sua soberania no lar”.
(LIMA, 1991:195)
Francisca Praguer Fróes e a Igualdade dos Sexos
Elisabeth Juliska Rago


A Apresentação
Revista Feminina Junho de 1918 N. 49
São Paulo Ano V - Página

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