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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A retomada do mercado do gás natural
Enviado por luisnassif, seg, 12/11/2012 - 14:08
Por Ronaldo Bicalho
Do Infopetro
Retomada do mercado de GNV no Brasil
Por Marcelo Colomer
A partir de 2007, as incertezas a respeito do fornecimento de gás da Bolívia, o aumento dos preços do gás natural no mercado doméstico, a expansão da frota de veículos bicombustíveis (Gasolina/Etanol) e a mídia negativa gerada em torno do uso do gás natural veicular (GNV) reverteram a forte expansão do mercado de GNV que vinha ocorrendo no Brasil desde 2000. Nesse contexto, as conversões anuais, que em 2006 atingiram 271 mil veículos, caíram para menos de 50 mil em 2010 (GASNET, 2012).
Além da queda do número de conversões, houve uma acentuada reversão no volume de gás consumido no segmento veicular que após atingir um pico de 7 MMm3/d em Dezembro de 2007 recuou para cerca de 5 MMm3/d em Janeiro de 2011 (ABEGAS, 2011). Contudo, apesar do cenário adverso do final da década passada, o segmento de gás natural veicular vem sobrevivendo graças aos esforços inovadores das companhias locais de distribuição, dos fornecedores de equipamentos e das montadoras de veículos.
Assim, espera-se que com o desenvolvimento de novas tecnologias de conversão e abastecimento, com o novo cenário de oferta de gás natural e com as novas condições de contorno da política de preços de combustíveis que começam a se delinear no Brasil, o mercado de gás natural veicular se aqueça novamente.
A utilização do gás natural veicular, tanto em veículos leves quanto em veículos pesados, apresenta uma série de benefícios quando comparado com o uso de outros combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel, e até mesmo quando comparado com os combustíveis renováveis, como o etanol e o biodiesel. Entre estas vantagens pode-se destacar a diversificação da matriz de combustíveis, o desenvolvimento de novos mercados para o gás natural, a geração de emprego, a redução dos impactos ambientais e a redistribuição social da renda.
No que diz respeito à diversificação da matriz de combustível, o recente crescimento das necessidades de importação de gasolina evidencia que a expansão da frota de veículos bicombustível (Gasolina/Etanol) não significou efetivamente um aumento na segurança do abastecimento. Em outros termos, o crescimento da frota de veículos verificada nos últimos anos, o sucateamento da indústria sucroalcooleira, o esgotamento da capacidade de refino e o desalinhamento dos preços dos diferentes energéticos explicam o atual desequilíbrio entre demanda e oferta de combustível no país o que tem tido efeitos diretos nas contas externas brasileiras.
Sendo assim, diante de um cenário de crescente oferta de gás natural (estima-se que só nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santos a oferta líquida[1] de gás natural possa atingir 190 MMm3/d em 2026 [GEE, 2011]), a expansão da frota de veículos a GNV pode contribuir para dar maior flexibilidade e segurança à politica de abastecimento do país. Ademais, diante de um aumento da demanda de GNV, os investimentos em refino necessários para cobrir as estimativas de consumo de gasolina e diesel podem ser reduzidos otimizando o portfólio de investimento da Petrobras.
Outro benefício do GNV está relacionado ao desenvolvimento de novos mercados para o gás natural. Em muitos municípios afastados da rede de distribuição, o mercado de gás natural tem se desenvolvido embrionariamente a partir do GNV. Nesses casos, os postos de abastecimento recebem o gás natural a partir de carretas de gás comprimido, ou como são conhecidos, pelos gasodutos virtuais. O desenvolvimento do mercado anteriormente aos investimentos em linhas de distribuição reduz os riscos de investimento das empresas de distribuição auxiliando no processo de interiorização da malha.
Em relação à geração de emprego e renda, verifica-se que a indústria de gás natural veicular é composta por inúmeras atividades industriais e comerciais auxiliares formadas em sua maioria por empresas de pequeno porte. Só no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, são 153 convertedores registrados no Inmetro (INMETRO, 2012). No Brasil esse número é de 489 oficinas registradas (INMETRO, 2012). Além das empresas convertedoras, há inúmeros outros negócios que compõe a indústria de gás natural veicular que são formados por pequenas empresas. Nesse sentido, a expansão do mercado de GNV possui um importante potencial de geração de emprego, renda e arrecadação fiscal.
Outra vantagem do uso do gás natural como combustível automotor diz respeito às menores emissões de CO2, particulados, óxidos nitrosos e enxofre, principalmente quando comparado ao diesel e a gasolina. Segundo Dondero e Goldemberg (2005), a conversão de veículos leves reduz em cerca de 13% as emissões de CO2 equivalente. Em estudo recente, o MIT (Massachussets Institute of Technology) concluiu que entre as novas opções de motores de combustão interna, os motores a GNV têm a mais baixa taxa de emissão de gases produtores do efeito estufa do que qualquer uma das opções híbridas estudadas. As vantagens ambientais do gás natural são ainda maiores quando se analisa a difusão do GNV nas frotas urbanas de serviços de utilidade pública, como ônibus e coleta de lixo. Nesses casos, a redução da emissão de material particulado e do nível de ruído dos motores facilita a adaptação dos veículos às legislações ambientais municipais.
Por fim, outra importante vantagem do uso do gás natural veicular é o seu potencial de redistribuição da renda e melhoria do bem estar social da população pobre. Percebe-se claramente a difusão do uso do gás natural nas camadas menos favorecida da população em função da economia gerada em termos monetários. Análises comparativas mostram que, em média, para cada 100 quilômetros percorridos a GNV há uma economia média de R$ 12 em relação à gasolina e R$ 14 em relação ao álcool (preços médios dos combustíveis de setembro de 2012).  A redução dos custos associado ao consumo de energia, nesse sentido, permite a geração de uma sobre-renda que contribui para o aumento de bem-estar da população de baixa renda. (...) O texto continua no Blog Infopetro.
 

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