A imagem do Brasil nas Olimpíadas

Por Marco Antonio L.
Do Viomundo
O jeitinho brasileiro nas Olimpíadas de Londres
por Mariana Selister Gomes*
O brasileiro, com seu sorriso e samba no pé, cativa o segurança britânico e, com seu jeitinho brasileiro, entra nas Olimpíadas de Londres.
Um britânico branco, detentor da vigilância, tenta humilhar o brasileiro negro que acaba por conquistá-lo com dança e sorriso.
Essa é a imagem que o Brasil ainda quer mostrar ao mundo?
Ainda vamos aceitar essa parte que nos cabe no imaginário internacional racista e colonizador?
Temos que mostrar nosso samba no pé e nosso sorriso com muito orgulho.
Mas esse povo que samba também trabalha e com seu árduo trabalho, principalmente dos brasileiros afrodescendentes, ajudou a construir inclusive a riqueza europeia.
Temos que mostrar nosso samba como parte da nossa história e não como entretenimento para inglês ver.
Temos que mostrar nossos Renatos Sorrisos com toda a dignidade e grandeza que nós merecemos e não sendo corridos por seguranças europeus e tendo que cativar gringos com ginga para serem respeitados.
Já é chegada a hora de acrescentar a nossa capacidade de trabalho (técnico, científico, intelectual e artístico) à imagem de samba e de alegria.
Não queremos mais ser apenas o “bobo da corte” dos grandes centros mundiais.
As Olimpíadas são um importante momento de (des)(re)construção da imagem de um país no mundo.
Eu, que há alguns anos tenho pesquisado a imagem do Brasil, tenho esperança que a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas do Rio de 2016 sejam (ao menos) aproveitadas para reposicionar a imagem do nosso país.
Na amostra em Londres (ainda bem) não apresentaram mulheres dançando seminuas para alimentar o imaginário europeu de mulher brasileira como objeto sexual (que faz com que brasileiras imigrantes sofram com assédios, preconceitos e discriminações).
Ainda posso ter esperança…
Esperança…
Estamos cansados de ter esperança!
Precisamos de mais investimento (público e privado) sério, democrático e socializado, nas nossas crianças, nos/as nossos/as atletas, na nossa imagem…
Afinal “esse Brasil que canta e é feliz; é também um pouco de uma raça, que não tem medo de fumaça e não se entrega não”.
 *Doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa, bolsista de doutorado pleno no exterior da CAPES/MEC/Brasil, criadora do  “Manifesto contra o preconceito às mulheres brasileiras em Portugal.