O depoimento dos procuradores do caso Cachoeira na CPI
Enviado por luisnassif, ter, 21/08/2012 - 12:22
Do Terra
GUSTAVO AZEVEDO
Os procuradores Daniel Rezende Salgado e Léa Batista de Oliveira ressaltaram nesta terça-feira que o Ministério Público ainda tem muito trabalho para finalizar o caso Cachoeira. Nos depoimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista, iniciados por volta das 10h50, Salgado e Lea sustentaram que parte das denúncias ainda não foram recebidas pela Justiça. Entre os acusados estão relacionados delegados federais e outros policiais, envolvidos em crimes como contrabando e chantagem.
Os procuradores Daniel Rezende Salgado e Léa Batista de Oliveira ressaltaram nesta terça-feira que o Ministério Público ainda tem muito trabalho para finalizar o caso Cachoeira. Nos depoimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista, iniciados por volta das 10h50, Salgado e Lea sustentaram que parte das denúncias ainda não foram recebidas pela Justiça. Entre os acusados estão relacionados delegados federais e outros policiais, envolvidos em crimes como contrabando e chantagem.
Um dos fatores que ainda emperra a atuação do MP é a dificuldade de investigar o braço financeiro do esquema. As quebras de sigilos bancários e fiscais encaminhadas em fevereiro ainda não foram liberadas para os procuradores. "As investigações patrimoniais, financeiras e de lavagem de capitais ainda não foram possíveis de fazer", lamentou Salgado.
Lea destacou que esses obstáculos permitem que o grupo criminoso ainda atue. "A organização não foi desmontada", alertou. Ela ressaltou que a investigação encontrou dificuldades devido ao esquema de máfia montado por Cachoeira e seus comparsas. "A organização criminosa tem uma estrutura central tendo o claro controle de Carlinhos Cachoeira. Ela é complexa, armada e ousada", afirmou.
A procuradora detalhou aos membros da CPI que foi ameaçada por e-mail por duas vezes. As mensagens, segundo ela, tiveram origem na cidade de Anápolis (GO), "reduto de Cachoeira e de da sua organização". Lea contou que houve uma tentativa de invasão ao edifício onde mora.
Segundo a procuradora, "o recrutamento do braço armado, delegado, policiais militares, delegados federais deixou a sociedade desprotegida. O uso do armamento por meio dos policiais serviu para sedimentar o domínio territorial". Ela acrescentou ainda que "enquanto não sufocarmos essa parte financeira, o grupo vai continuar atuado independentemente do chefe da organização estar preso ou não".
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.
Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.
Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.
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