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quinta-feira, 1 de novembro de 2012



Vitória de Haddad ressalta influência de Lula
Enviado por luisnassif, qui, 01/11/2012 - 13:53

Por Marco Antonio L.

Do Sul 21

Para analistas, eleição de Haddad fortalece PT, mas ressalta influência de Lula

Rachel Duarte

A eleição de Fernando Haddad à prefeitura de uma metrópole brasileira com importância mundial contrariou algumas teses no meio científico e opiniões de setores da imprensa brasileira. Além de ter levado a disputa para um segundo turno, no último domingo (28) o ex-ministro da Educação do governo Lula saiu vitorioso com 55,57% dos votos válidos em São Paulo. Nenhuma das duas possibilidades eram consideradas durante a campanha eleitoral por alguns analistas e muito se divulgou sobre o desgaste político para o PT e o padrinho de Haddad, o ex-presidente Lula, com o julgamento do mensalão. Após o resultado da eleição, cientistas políticos acreditam que a vitória significou um passo importante para o crescimento do Partido dos Trabalhadores e um alerta sobre o tamanho do líder Luiz Inácio Lula da Silva.
Comício de Fernando Haddad com presença de Lula e Marta Suplicy em SP
Comício de Fernando Haddad com presença de Lula e Marta Suplicy em SP

Fernando Haddad foi bancado por Lula como candidato à prefeitura, o que levou Marta Suplicy a recuar em sua pré-candidatura | Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

A vitória de Haddad foi bastante atribuída ao capital político de Lula. Além de costurar as alianças do PT em São Paulo, entre elas a para muitos indigesta coligação com o PP de Paulo Maluf, e garantir o apoio do PMDB no segundo turno, Lula conseguiu se manter atuante na campanha do seu indicado sem sentir tantos reflexos dos ataques sobre sua relação com os réus do mensalão.

Para o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), houve uma criminalização ao PT por parte de setores da imprensa que reforçou o discurso do principal adversário de Haddad, o derrotado tucano José Serra (PSDB). “Parte da imprensa namorou com a ideia da politização do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre o mensalão para que este caso tivesse influência nas eleições municipais. Além da imprensa paulista sempre fazer assumidamente uma campanha pró-Serra”, acusa.

Bruno Alencastro/Sul21Bruno Alencastro/Sul21

Paulo Teixeira: “ imprensa paulista fez assumidamente uma campanha pró-Serra” | Foto: Bruno Alencastro/Sul21

Apesar disso, Teixeira acredita que os reflexos do mensalão foram sentidos na disputa. “A nossa vantagem poderia ter sido muito maior. Mas a vitória foi uma combinação de vários fatores. Houve a força do Lula e da Dilma na campanha, o PT teve a capacidade de construir bons programas e Haddad soube defendê-los nos debates”, avalia.

Para o analista político Alberto Almeida, o resultado das eleições em São Paulo não pode ser resumido a uma ou outra tese. “Os indicadores ao longo da eleição comprovavam que havia um conjunto de fatores que influenciavam o eleitor e que pouco teve a ver com o mensalão ou outras conjunturas nacionais. A popularidade do governo Dilma certamente influenciou, bem como o apadrinhamento de Lula, mas a escolha do voto do eleitor municipal teve a ver com as questões de São Paulo e a insatisfação dos paulistanos com a gestão de Serra na Prefeitura”, acredita.

Os adversários de Fernando Haddad não souberam se posicionar, também afirma o analista. “Fizeram colocações difusas sobre mensalão. A estratégia de ataques só funciona quando é para expor problemas municipais que não são ou não serão resolvidos pelo candidato atacado. Além do que, toda vez que se repete candidato que já foi derrotado, a tendência é de não se obter vitória”, fala, citando a decisão do PSDB de concorrer com José Serra.

De acordo com cientista político, Serra segue entre as principais lideranças do PSDB mesmo após derrota em São Paulo | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

José Serra foi liquidado politicamente?

Apesar de perder as últimas eleições presidenciais e agora a Prefeitura de São Paulo, José Serra ainda é um líder importante para os tucanos. Na opinião do cientista político Renato Janine Ribeiro, Serra não está liquidado politicamente. “Ele é um quadro de Executivo, optar por candidaturas ao Legislativo é complicado. Ele está com 72 anos de idade. Porém, Serra está ao lado de Fernando Henrique Cardoso (FHC) entre as principais lideranças do PSDB”, diz.

Segundo ele, o anúncio de renovação dos tucanos após o resultado da eleição é salutar. “A política no Brasil tem continuidade no PSDB e no PT. Tirando a característica singular do PMDB gaúcho, nacionalmente todos os demais partidos não sabem o que querem. O PMDB não sabe o que quer. O PSB está se aproximando do Kassab e do Aécio (PSDB). Está aumentando o número de partidos que apoiam apenas quem está no poder e há um esvaziamento de projetos nas siglas. Os únicos com guinada ideológica são PT e PSDB”, defende.

O Partido Verde, que teria potencial para ser uma nova força política, também se misturou com outras linhas, segundo o cientista político. E, na visão dele, o PCdoB está distante de ser um partido verdadeiramente comunista. “O PCdoB já foi um partido muito ideológico, mas hoje está na Secretaria de Esportes do governo do prefeito Kassab, por exemplo”, compara.

Por outro lado, os rumos do PSDB dependem, segundo ele, de um reencontro do partido com suas bandeiras. “Inflação e privatização eram as principais pautas na disputa eleitoral polarizada. Após a Era Lula, o tema passou a ser os programas sociais. Virou dado básico da política brasileira apresentar ações sociais. Só que o PSDB não sabe fazer isso, acaba apresentando ideias atrasadas ou no rastro do PT. Eles (tucanos) poderiam fortalecer o pequeno empresário e as ações de gestão que sempre foram o forte do PSDB. Até agora, ninguém do PSDB assumiu isso”, fala.

Wilson Dias/ABr

Mobilidade urbana e políticas sociais são grandes desafios para Haddad em SP, opinam deputados federais petistas | Foto: Wilson Dias/ABr

Rumos da política nacional com retomada do PT em SP

“A eleição do Haddad confirma a aprovação de Lula e Dilma”, diz o deputado federal Paulo Teixeira (PT). “Isso tem dois aspectos: há consolidação do PT no eleitorado mais pobre e no de classe média, e também demos um passo à frente no esforço para reeleger a presidenta Dilma Rousseff em 2014”, projeta.

Já para o deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), o bom desempenho do PT nas eleições municipais de 2012, como um todo, é que pode impulsionar a continuidade de crescimento para o partido. “Mas nós temos que ver isso com humildade e com senso de que a população nos delegou uma tarefa de continuar mudando o Brasil para melhor, com salto de qualidade nas cidades. Em São Paulo isso é ainda mais fundamental”, acredita.

Os desafios da capital paulista, principalmente na mobilidade urbana e políticas sociais, são o olhar de futuro que o PT precisa oferecer no momento, diz Vacarezza. “É uma metrópole mundial e ainda atrasada em soluções de cidade. Haddad precisa diminuir as desigualdades sociais. Projetos como o Arco do Futuro, que pretende ligar grandes avenidas às periferias, desenvolvendo a zona Sul e a zona Leste com geração de empregos no local onde o povo mora, irão contribuir para renovar a cidade de SP”, defende.

 Wilson Dias/ABr

Renato Janine Ribeiro: “A indicação de Haddad saiu da cartola de uma pessoa que se acha muito genial. E nem todos no partido aceitam bem esta genialidade” | Foto: Divulgação

O mais importante reflexo da vitória de Haddad, na avaliação do analista Alberto Almeida, será verificado nas eleições estaduais de São Paulo. “A implicação do fator Kassab, que já apoiou o Serra para presidência e não deu certo, deve ser observada. Para onde ele irá agora? Por outro lado, a vitória do Haddad deixa Lula mais animado em lançar outro quadro novo para disputar a eleição ao governo estadual, com boa possibilidade de manutenção da ampla aliança costurada nesta eleição”, projeta.

Já o cientista Renato Janine Ribeiro considera que o poder de Lula em lançar candidatos demonstra que o ex-presidente ainda tem grande controle sobre os rumos do PT – situação que, segundo o especialista, pode ser arriscada. “Ele é um líder carismático e o único que consegue agradar a todos. Isto é inegável. A indicação de dois candidatos, Dilma e Haddad, saiu da cartola de uma pessoa que se acha muito genial. E nem todos no partido aceitam bem esta genialidade”, afirma.

Porém, ele reconhece o potencial de Fernando Haddad como quadro promissor do PT. “É o nome mais novo a surgir recentemente e pode disputar a presidência em 2018, depois de uma eventual reeleição de Dilma”, diz. Janine Ribeiro entende que os governadores Tarso Genro (RS) e Jaques Wagner (BA), além de pertencerem a outro momento da política, não parecem reunir condições para voos mais altos. “Mas, para qualificar-se, ele (Haddad) tem que fazer um bom governo e não deixar a Prefeitura como fez Tarso (Genro) e Serra”, salienta.

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