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terça-feira, 30 de outubro de 2012


A vitória do PT em São Paulo e a coesão interna do partido
Enviado por luisnassif, ter, 30/10/2012 - 10:29
Por Marco Antonio L.
Do Valor
Vitória em SP amplia coesão e cacife de Lula no PT
Por Caio Junqueira
O prefeito eleito ontem por São Paulo, Fernando Haddad, subscreveu em 2005 uma espécie de manifesto intitulado Mensagem ao Partido. A elaboração do texto foi liderada pelo então presidente do PT, Tarso Genro, e propunha a refundação da legenda na sequência da crise do mensalão. Uma clara oposição ao grupo que ficou conhecido como Campo Majoritário, cujos principais protagonistas -José Dirceu à frente- estampavam à época as páginas dos jornais em meio às denúncias do mensalão. O manifesto também inaugurou uma nova corrente partidária considerada mais à esquerda na sigla.
Desde então, Haddad passou a ser considerado como integrante da “Mensagem” e nunca questionou essa avaliação.
Até que no início deste ano, em uma reunião da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), o novo nome do antigo Campo Majoritário, ele passou por uma espécie de sabatina. O ponto alto ocorreu quando o deputado federal Ricardo Berzoini (SP) disse que era importante ele se posicionar sobre sua tendência interna e garantir que em caso de vitória não iria favorecer nenhuma das muitas correntes que compõem e disputam o poder interno da sigla. “Minha tendência é o PT”, respondeu.
Ali, foram selados dois rumos para o partido que o resultado de ontem nas urnas em São Paulo irá reforçar. A diminuição dos embates internos petistas que tanto caracterizaram o PT ao longo dos seus 32 anos de história e a condução do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma posição de influência como nunca antes exerceu sobre a legenda. Tanto que, relatam petistas, o que mais se ouve hoje nas conversas sobre tudo referente ao partido e ao governo é: “Já falou com o Lula?”.
Por essa razão, o debate das eleições internas no segundo semestre de 2013 se coloca hoje com ares de consenso: será eleito quem Lula indicar. Afinal, ele elegeu dois técnicos desconhecidos — Dilma Rousseff e Haddad — para os cargos mais importantes em disputa, respectivamente, em 2010 e em 2012.
Assim, é certo que o PT se curvará a ele em 2013. “É o Lula que vai decidir a próxima eleição interna. O fato de ele ter ganho a presidência duas vezes, eleito a Dilma e depois o Haddad enfraqueceu todas as tendências. Esse palco de tendências vai ficar diluído”, disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT), da CNB.
“As correntes ficaram muito parecidas. A definição dos postos estratégicos no partido passa por um acordo com o Lula”, disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e integrante da PT de Lutas e de Massas. “Há um cenário de unidade. Lula tem faro político”, disse o deputado Paulo Teixeira (SP), da “Mensagem”.
A questão controversa é que, a despeito da idolatria a Lula, ninguém no partido concorda com a tese de que o PT, enquanto Lula existir, será partido de um homem só, moldado no caciquismo político. Os petistas prontamente rebatem a ideia, sob o argumento de que o que ali ocorre é que Lula, por ser quem é, consegue arregimentar um maior número de apoiadores para suas ideias que precisam estar em conexão com o pensamento médio da legenda.
No caso da eleição interna de 2013, a dúvida é se haverá uma consistente maioria do partido para avalizar a tese central de Lula já referendada por Dilma de que a aliança preferencial da campanha de 2014 é ao centro, com o PMDB, e não à esquerda, com o PSB. Ou, sob outra ótica, se os descontentes com a opção já feita pelos dois principais nomes do PT terão coragem e força suficiente para levar adiante a polêmica e a insatisfação com essa opção.
Tendo por base essa dicotomia, nomes começam a circular no partido. O atual presidente do PT, Rui Falcão (SP), é apontado como o que saiu na frente. “Rui é favorito. Dirigiu a eleição pensando o país, foi o presidente que mais percorreu os municípios neste ano, tratou a todos de maneira igual, independentemente de correntes internas, fez o jogo todo combinado com Lula e, na maioria dos Estados, tem quem articula para ele”, afirmou o vice-líder do governo e vice-presidente do PT, deputado José Guimarães (CE).
Em outra frente, circula o nome do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (RS), que deixa o cargo em fevereiro. Ele garante que isso não está em debate ainda, mas que a lembrança de seu nome é “natural”. “Deixo o cargo em fevereiro, serei um quadro “solto”, não há disputa eleitoral em 2013 e o fato de ter passado pela presidência da Câmara me dá uma condição nacional. Mas, ao mesmo tempo, não gostaria de participar de uma disputa, preferiria trabalhar por um acordo”, declarou.
A lógica pensada por seu grupo na bancada é reproduzir no partido as mesmas condições que o levaram a ser eleito presidente da Câmara: o apoio de integrantes de todos os Estados e de todas as correntes políticas internas do PT — o que também mostra como elas perderam a força de outrora — como forma de contestar o poderio do grupo paulista da CNB mais ligado às antigas lideranças partidárias que saem combalidas do julgamento do mensalão.
Além disso, há uma diferença crucial deste grupo em relação ao que se articula em torno de Rui: o sentimento de que a aliança de 2014 deve ser feita à esquerda. Em outras palavras: deve privilegiar o PSB e não o PMDB.
Mesmo pensamento do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, de quem Maia se aproximou nos últimos meses. “Alianças devem caminhar da esquerda para o centro. Não se trata de preferência a um ou outro partido, mas como fazer uma aliança mais equilibrada com o PMDB fortalecendo os nossos princípios. Se não fica mais difícil implementá-los no futuro”, afirmou Genro.
Para ele, essa ideia se baseia no fato de que a oposição, hoje enfraquecida, em algum momento vai se rearticular e propor uma alternativa à direita. E se o PT rumar por esse caminho em 2014, em um futuro próximo não terá mais condições de se diferenciar da oposição.
Ocorre que a preferência pelo PMDB, além de ser efetivada em Brasília, em fevereiro, com o apoio do Palácio do Planalto às candidaturas de Renan Calheiros (AL) a presidente do Senado e a Henrique Eduardo Alves (RN) a presidente da Câmara, também a partir de janeiro começará a ser configurada no governo Haddad.
Embora ninguém acredite que ele vá jogar o prestígio obtido nas urnas para entrar no jogo partidário — ao contrário de Marta Suplicy, que constituiu um grupo político no seu entorno –, é certo que o molde político que seu governo tomar, orientado por Lula, apontará tendências futuras no PT. São Paulo será o principal laboratório petista de políticas públicas para a nova classe média constituída no país nos últimos anos, egressa da pobreza e que anseia por serviços públicos de qualidade.
Durante a campanha, esse setor foi seduzido pelo candidato Celso Russomano (PRB) a ponto de quase tirar o petista do segundo turno. O governo federal tenta, mas ainda patina no olhar específico para esse eleitorado.
“A vitória do Haddad deve inaugurar um novo modelo petista de governar. Antes a prioridade era a inclusão, agora é a qualidade do serviço público”, disse o senador Jorge Viana (PT-AC).
Além disso, trata-se de um nome formado não na primeira geração petista, que fundou o PT. “A eleição do Haddad repercute nas ideias do PT. Vai haver um debate sobre as ideias do partido a partir de um novo patamar que são essas mudanças na economia e na sociedade”, disse o secretário-geral do PT, Elói Pietá

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