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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O desafio energético indiano
Enviado por luisnassif, seg, 15/10/2012 - 12:19
Autor:  Ronaldo Bicalho
Por Ronaldo Bicalho, do Blog Infopetro
Na Índia, 25% da população não têm acesso à eletricidade e 72% usam lenha para cozinhar. Isto significa que 289 milhões de indianos não têm luz elétrica em suas casas e que 836 milhões não têm fontes de energia modernas para preparar seus alimentos.
A Índia tem uma demanda energética (692,6 Mtep) 40% maior do que a do Japão (496,8 Mtep), contudo, cada indiano consome (0,59 tep) apenas o correspondente a 15% da energia consumida por um japonês (3,90 tep).
Mesmo considerando as reduções previstas para essas carências energéticas, em 2030 as parcelas da população indiana sem acesso à energia elétrica (194 milhões) e às fontes modernas para a cocção (778 milhões) continuarão sendo significativas (10% e 53%, respectivamente).
Desse modo, a demanda de energia de uma grande parte da população indiana não é atendida hoje e, mais do que isso, continuará sem ser atendida por um longo tempo.
Em função das graves consequências econômicas e sociais dessa pobreza, prover o acesso às energias modernas para toda a sua população, principalmente à eletricidade, é a prioridade maior da política energética indiana. Essa inclusão tem sido, historicamente, o grande desafio das políticas públicas do Estado indiano na área de energia.
A Índia apresenta a terceira maior demanda de energia do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Sua matriz energética é dominada pelo carvão (41,6%), seguido pelos biocombustíveis – leia-se lenha – e resíduos (24,5%) e pelo petróleo e seus derivados (16,5%).
Com uma participação de 41,0%, o setor residencial é o maior consumidor final de energia da Índia, seguido pelo setor industrial (36,2%) e pelo setor de transporte (13,2%). No primeiro se destaca, com 77,3%, o uso dos biocombustíveis e resíduos vegetais e animais; no segundo, o carvão, com 40,8%; e no terceiro, os derivados de petróleo, com 93,4%.
Para atender a sua demanda doméstica de energia de 692,6 Mtep, a Índia importa, em termos líquidos, 181,4 Mtep, configurando uma dependência energética de 26,1%. Dependência essa que alcança o valor de 76,0% para o petróleo – importado fundamentalmente (62,3%) do Oriente Médio -, de 16,4% para o carvão – importado basicamente da Indonésia (43,9%) e da Austrália (30,8%) -, e de 20% para o gás natural – importado essencialmente do Qatar (76%).
Com uma população de 1.170 milhões de habitantes – a segunda maior do mundo, com perspectiva de se tornar a primeira em 2025 -, e um crescimento econômico acelerado – em média 7% a.a desde 2000 -, a demanda de energia da Índia deve mais do que dobrar até 2030, colocando o abastecimento energético como um dos desafios centrais para o desenvolvimento indiano.
Nesse contexto, a segurança energética surge como a segunda grande questão de política energética na Índia. Os desafios nessa área não se resumem à redução da dependência externa atual, mas, ao contrário, incorporam as grandes dificuldades associadas à tendência atual de aumento significativo dessa dependência. Aumento que ocorre não só em função da aceleração econômica e da própria inclusão energética, mas também em função das dificuldades crescentes da produção interna de carvão, petróleo e gás.
A Índia é o terceiro maior emissor de Gases de Efeito Estufa do planeta, tendo à frente somente a China e os Estados Unidos. No entanto, a sua emissão de CO2 per capita é 1/3 da média mundial e 1/7 da média dos países dos países desenvolvidos (OCDE).
A elevada contribuição do país para a emissão de CO2 coloca a mudança climática como a terceira grande questão da política energética indiana.
Desde 2008, a Índia tem um plano nacional de ação relativo à mudança climática. Contudo, embora reconheça a gravidade do aquecimento global, para a Índia a prioridade é o desenvolvimento econômico e social.
Nesse sentido, os indianos não aceitam restrições às emissões de CO2 que coloquem em risco esse desenvolvimento.
Em função desse posicionamento, a Índia nas discussões sobre o clima  lidera a recusa a qualquer tentativa dos países industrializados de impor metas de redução de carbono aos países em desenvolvimento.
Premida por uma clara perspectiva de aceleração da demanda de energia, sustentada pela explosiva combinação de inclusão energética e crescimento econômico,  a Índia considera que as restrições ao uso dos combustíveis fósseis tornam extremamente difícil garantir o suprimento energético compatível com essa aceleração. Em outras palavras, a retirada dos combustíveis fósseis do cardápio de soluções para a segurança energética é uma opção que, para o Estado indiano, implica, de fato, no sacrifício da inclusão energética e do crescimento econômico do país.
As dificuldades da política energética indiana em dar conta das suas três questões fundamentais – inclusão e segurança energética e sustentabilidade ambiental – foram explicitadas de forma dramática em Julho deste ano, quando uma sequência de apagões deixou mais de 700 milhões de pessoas sem luz, expondo a fragilidade do sistema elétrico indiano e o tamanho do problema a ser resolvido.
O Sistema elétrico indiano apresenta uma série de problemas: a) plantas de geração térmica de baixa eficiência – 34% enquanto as plantas chinesas alcançam 37% e as americanas 39% -; b) fator de capacidade baixo, fruto das paradas para a manutenção imprevistas e não programadas das plantas mais velhas e do atraso na estabilização operacional das novas plantas e, principalmente, devido à escassez de carvão e gás e à baixa qualidade do carvão suprido; c) perdas de transmissão e comerciais que atingem 31% – no Brasil são da ordem de 17% -; e c) um sistema de tarifação que simplesmente não permite às concessionárias cobrir seus custos e remunerar seus investimentos. (...) O texto continua no Blog Infopetro.
  

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