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sábado, 13 de outubro de 2012



























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"Os jornalista perderam o controle da notícia"
Enviado por luisnassif, sab, 13/10/2012 - 14:09
Por Marco Antonio L.

Quem controla a notícia?

Por Carlos Castilho, No Observatório da Imprensa

Os jornalistas perderam o controle da notícia na internet e agora estão ameaçados de perdê-lo também nos jornais impressos, rádios e emissoras de TV convencionais. É que cresce o número de políticos, governantes, empresários e até artistas que condicionam a concessão de entrevistas ou informações à obediência dos repórteres e editores a determinadas normas fixadas pelos entrevistados.
O fenômeno, que está ganhou dimensões mundiais, inclui desde entrevistas completas até meras citações de uma frase.  No período eleitoral , esta prática se torna quase um padrão entre os candidatos, embora os jornalistas raramente mencionem o fato por temerem perder acesso à fonte ou ficarem sem a informação, que acaba sendo publicada pelo concorrente.

A regra está sendo quebrada na campanha eleitoral norte-americana, onde jornais como o The New York Times e The Washington Post resolveram quebrar romper o pacto de silêncio e colocar na agenda de notícias o debate sobre o direito de os entrevistados condicionarem ou não o tipo de declaração e o contexto em que serão publicadas. Aqui no Brasil, essa questão só é levantada quando afeta  interesses políticos da imprensa, o que acaba transformando o problema numa polêmica particular.

A discussão sobre quem tem o controle sobre a noticia é interessante porque torna pública uma questão complexa e que provavelmente ainda vai exigir muito trabalho dos neurônios jornalísticos.

Os entrevistados passaram a impor condições para falar à imprensa por conta de sua crescentepreocupação com o contexto informativo em que  suas declarações serão inseridas. O fenômeno se torna mais intenso nos períodos pré-eleitorais, quando a preocupação dos candidatos com sua imagem pública chega às raias da paranoia. Mas a prática de impor condições — e até revisar textos, fotos e vídeos antes da publicação — já está se tornando cada vez mais comum fora da política.

A preocupação com o contexto é uma reação das personalidades e instituições diante da dependência cada vez maior da imagem pública de ambos, como precondição para alcançar objetivos políticos ou comerciais. Marca também o reconhecimento da possibilidade de a imprensa manipular o contexto para induzir percepções favoráveis ou desfavoráveis entre os consumidores de informações.

Não é segredo que a imprensa usou esse recurso de manipular contextos com frequência preocupante, criando uma situação em que ambos os lados têm culpa em cartório. Se as tentativas de influenciar a publicação constituem uma interferência indevida no livre fluxo de informações, por outro lado a manipulação de contextos é igualmente condenável,  porque priva o leitor de uma percepção mais objetiva da questão abordada.

Também é publico e notório que políticos, governantes, empresários e personalidades tentam influenciar a imprensa antes mesmo do contato direto com repórteres e editores. Os comunicados de imprensa (press releases) são uma forma aceita de tentar condicionar a informação dada ao jornalista.

Nos casos mais grosseiros, o profissional consegue identificar os interesses embutidos no comunicado, mas a sofisticação crescente nas técnicas de relações públicas torna cada vez mais difícil distinguir a informação do marketing. Caso o jornalista resolva não ser um “inocente útil” no marketing alheio, ele acabará gastando um bom tempo para separar o joio do trigo e provavelmente será ultrapassado pela concorrência, ficando exposto à censura de seus superiores.

A internet já acabou com a exclusividade da imprensa na coleta, edição e distribuição de noticias porque hoje qualquer pessoa com um computador e acesso à rede pode desempenhar uma atividade informativa.  Mas a web também criou mecanismos que possibilitam uma relação menos invasiva entre jornalistas e fontes.

Como as fontes também têm acesso à internet , um entrevistado pode publicar a íntegra de suas declarações ou de um documento deixando ao leitor a liberdade de escolher entre a versão da imprensa e a da fonte da informação. A possibilidade de ser checado na veracidade e fidedignidade de seu trabalho pode funcionar como um poderoso desestimulador de manipulações jornalísticas de contextos noticiosos.  É o que já fazem muitas instituições e governantes, mas  infelizmente ainda são minoria.

Quem controla a notícia? (parte 2)

Por Carlos Castilho em 10/10/2012  

Existem hoje nos Estados Unidos e na Inglaterra quase três vezes mais profissionais de relações públicas do que jornalistas empregados, o que reforça a ideia exposta no post anterior (Quem controla a notícia?) de que os leitores de jornais não têm outra saída senão mudar a maneira como selecionam informações para formar uma opinião.

O acelerado crescimento do número dos profissionais de relações públicas e o aumento médio anual de 8% nas verbas para produção de material informativo para a imprensa coincide com o enfraquecimento da indústria jornalística e cortes sistemáticos de pessoal nas redações. Só nos Estados Unidos, elas encolheram 28% desde 2003, segundo a Associação de Jornais dos Estados Unidos (ASN, na sigla em inglês).

Isso significa que o produto que nos é oferecido como sendo notícia é cada vez mais fornecido por serviços altamente sofisticados e especializados em alimentar a imprensa com informações formatadas segundo os interesses de quem as encomendou.

Andrew Edgecliffe-Johnson revelou no  jornal inglês Financial Times  que de 1980 a 2010 a relação entre profissionais de RP e jornalistas nos Estados Unidos passou de 1,2 para 1  para 4  por 1 — ou seja, mais do que triplicou. No mesmo período, os gastos mundiais dedicados a relações públicas em empresas privadas e governos chegaram a 10 bilhões de dólares anuais.

Só o governo inglês tem 1.500 profissionais em relações públicas que emitem por ano cerca de 20 mil comunicados à imprensa, o que configura uma enxurrada de 66 press releases por dia, segundo o jornalista inglês Nick Davies, autor do livro Flat Earth News: An Award-winning Reporter Exposes Falsehood, Distortion and Propaganda in the Global Media. Mas esses números são quase insignificantes perto da performance daPRNewswire, maior empresa mundial no ramo de relações públicas. 

Os dados da PRNewswire impressionam. Segundo informações da e-Releases[1], a PRNewswire produz diariamente, em média, mil comunicados à imprensa em 27 idiomas diferentes, em 135 países para 85 mil jornalistas distribuídos em 22 mil redações ao redor do mundo. Toda a distribuição de press releases é feita de forma eletrônica. A empresa tornou-se a maior do mundo depois de comprar quase 40 empresas do segmento de relações públicas nos últimos 15 anos.

Este quadro está invertendo a relação entre jornalismo e relações públicas, o que  torna necessária umaredefinição de fronteiras entre as duas atividades porque o gigantismo da RP pode colocar mais dúvidas ainda sobre a isenção e a independência das notícias publicadas pela imprensa. 

A profissão de relações públicas é tão honrada e necessária quanto a do jornalista, quando exercida de forma ética e sem enganar o leitor. O problema é a mudança do contexto informativo. A disparidade de efetivos humanos e de orçamentos faz com que os jornalistas tenham cada vez menos tempo e condições materiais para identificar interesses embutidos nos press releases.

É fácil imaginar como um editor de jornal, com uma redação quase deserta e tendo que fechar edições com cada vez menos material próprio, terá poucas dúvidas em publicar press releases produzidos com todas as boas técnicas jornalísticas e por redatores com larga experiência em veículos da imprensa. Com isso ele estará repassando ao leitor uma notícia encomendada como sendo algo desinteressado.

Mas os planos da PRNewswire vão bem mais longe em matéria de controle da notícia. Até agora ela via os jornalistas como intermediários no processo de transmitir informações ao destinatário final — os tomadores de decisões e o público em geral. Mas, segundo o jornal inglês The Guardian, a estratégia agora é passar por cima das redações e produzir material multimídia para ser inserido em sites da web e chegar direto ao público.

Esta possibilidade é um passo a mais no controle da notícia e, principalmente, do trabalho das redações. Uma pesquisa feita na Universidade de Cardiff, em 2006, já mostrava que 41% das notícias publicadas pela imprensa britânica tinham origem em press releases. Embora não tenhamos dados numéricos atualizados, hoje esse percentual deve ser bem maior porque a dependência das redações em relação aos comunicados de imprensa só aumentou.

Roy Greenslade, crítico de mídias do Guardian , classificou o avanço das empresas de relações públicas no controle das notícias como um “assalto à democracia
 

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